Faltam duas semanas para o início do Festival Internacional de Teatro de Londrina. Desta vez, a mais antiga mostra de artes cênicas da América Latina virá mais enxugada abandonando a duração quase mensal das últimas edições. O Filo 2005 será realizado de 03 a 19 de junho inaugurando o calendário de eventos do gênero no País que inclui o Festival Internacional de Rio Preto (FIT/SP), riocenacontemporânea (RJ), Porto Alegre em Cena (RS), Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte (FIT/MG) e Cena Contemporânea Brasília (DF) todos realizados pelo poder público ou por associações culturais sem fins lucrativos.
''Encurtamos o tempo de duração, mas ele está mais concentrado com apresentação de 6 a 7 espetáculos por dia. A intenção é que a cidade realmente entre no clima do Festival, com peças o tempo todo em cartaz'' explica Luiz Bertipaglia, curador e presidente da Associação dos Amigos da Educação e Cultura do Norte do Paraná (ÁMEN). A Ámen é parceira da Universidade Estadual de Londrina (UEL) na realização do evento, que conta com patrocínio da Petrobras, Prefeitura do Município de Londrina/Secretaria de Cultura, Milenia Agrociências, Correios, TIM, Caixa Econômica Federal, Funarte, Governo do Estado do Paraná/Secretaria de Estado da Cultura e Ministério da Cultura/ Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Orçado em 1 milhão e 500 mil reais, o Filo vai reunir 40 companhias (entre participantes das mostras e corredor cultural), além de 12 shows no Cabaré, o espaço cênico-musical que volta à programação depois da pausa do ano passado. Segundo Bertipaglia, o local dos shows ainda está sendo negociado. ''Mas já está quase tudo fechado. É um ponto no Centro com capacidade para 1.500 a 2 mil pessoas'' diz ele.
Entre as atrações musicais já confirmadas constam Paulinho da Viola, Zélia Duncan, Afroreggae, Ângela Rô Rô e Trio Mocotó. Os shows das atrações nacionais serão sucedidos por shows de artistas e bandas locais. A produção teatral da cidade também será prestigiada com a escalação de cinco grupos na programação. Com a proposta de trazer companhias e artistas que acrescentem algo à linguagem cênica, foram selecionados grupos como o alemão Volksbhme, o russo Akhe Group, o chileno La Troppa e o dinamarquês Odin Teatret.
Foram garimpados também espetáculos da clown suiça Gardi Hutter e da bailarina e coreógrafa americana Maureen Fleming. Convidaram ainda grupos da Espanha (Albanta), Portugal (Cia.Felipe Crawford) e Peru (Hugo e Inês). A produção teatral do Mercosul também foi pinçada destacando o grupo El Pátron Vasquez, de Rafael Spregelburd, um dos novos talentos da dramaturgia argentina.
Neste bloco, o público poderá apreciar sete peças através do projeto ''Corredores Culturais do Mercosul'', idealizado pela Fundação Teatro Guaíra. Já dentro da Mostra Nacional, o Filo 2005 traz montagens de oito estados brasileiros. A abertura ficará por conta da elogiada ''Poltrona Escura'', monólogo com o ator Cacá Carvalho, com texto de Luigi Pirandello e direção de Roberto Bacci.
Depois, a programação segue com a elogiada ''Por Elise'', do grupo mineiro Espanca!; ''Shi Zen - 7 Cuias'', do Lume (Campinas SP), ''Arena Conta Danton'', com a Cia. Livre (São Paulo); e ''Tiro na Veia'', do Teatro de Comédias do Paraná, entre outros. Do elenco internacional citado linhas acima, há grande expectativa em torno de dois grupos que virão pela primeira vez ao Brasil. Um é o russo Akhe Group, anunciado como uma das prováveis ''sensações'' desta edição. Considerada uma das vedetes do teatro contemporâneo, a companhia trabalha com o que se chama de ''teatro visual''.
A espinha dorsal do grupo é formada por Maxim Isaev e Pavel Semtchenko. Eles se apresentam em Londrina nos dias 14, 15 e 16 no Teatro Ouro Verde. O espetáculo que trazem, intitulado ''White Cabin'', foi descrito como ''uma performance melancólia e espiritual''. Não consiste numa história, mas numa série de episódios imaginários que se utilizam de teatro, pintura, vídeo, cinema para gerar uma atmosfera irreal e sugestiva. O outro grupo que provavelmente formará filas para aquisição de ingressos é o alemão Volksbhne, com apresentações marcadas para os dias 07 e 08 de junho, também no Teatro Ouro Verde.
Será a primeira vez que apresentam o espetáculo ''Luta de Negros e de Cães'' (Kampf des Negers Und Der Hunde, no original) fora da Europa. A peça, que estreou em novembro de 2003 em Berlim, traz direção de Dimiter Gotscheff e texto do francês Bernard-Marie Koltès (em francês: Combat de Négres et des Chiens). O texto é um dos mais conhecidos de Koltés para o teatro e relata a história de um africano que reclama o direito ao cadáver de seu irmão desaparecido em um canteiro de obras francês. A África recriada pelo diretor Dimiter Gotscheff se encontra em uma zona neutra, numa cena vazia a não ser pela permanente chuva de confetes gigantes em cores vivas.
Também programada para os dias 07 e 08, a peça ''Gemelos'' é outra que deverá arrastar muita gente às poltronas, dessa vez ao Teatro Marista. Na montagem do grupo chileno La Troppa, o pequeno teatro de madeira parece anunciar um espetáculo de marionetes. Na verdade, o que se vê em cena, são atores assumindo o lugar dos bonecos de madeira, numa proposta surpreendente de criação coletiva. A peça é uma adaptação livre do livro ''O Grande Caderno'', da escritora húngara Agota Kristof, e trazo para o palco a infância de dois irmãos durante a II Guerra Mundial.
Juntos eles enfrentam os medos, inseguranças e curiosidades da vida descobrindo o mundo com uma mistura de cinismo e ingenuidade infantil. Com a ajuda de uma avó misteriosa e rabugenta, os gêmeos aprendem as duras regras da sobrevivência na Guerra e na miséria. Embora mais enxuto que edições anteriores, o Filo 2005 parece que não vem para ser esquecido logo após seu último espetáculo.

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