FESTIVAL - Com a palavra, o público
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sábado, 18 de junho de 2005
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Já dizia a querida poeta Helena Kolody: ''não é o tempo que voa. Sou eu que vou devagar...''. Mas para o público que durante os últimos 17 dias correu para não perder a programação do FILO nesse ano mais enxuta o tempo voou mesmo assim. O último dia chegou e para os amantes da arte a sensação de ''jejum'' já se faz presente. O total de público do Filo deve chegar a 40 mil pessoas (incluindo o Cabaré), conforme prevê a assessoria do evento, que na edição 2005 introduziu a bilhetagem eletrônica e chegou a ter 14 mil acessos no site oficial.
''Durante o FILO tempos uma 'epidemia' de teatro, a cidade respira arte, mas depois do festival o público vive um anticlímax, uma profilaxia total do teatro experimental. Ficamos condenados a uma dieta, esperando o próximo ano'', comentou a jornalista e professora Linda Bulik.
Admiradora convicta das artes cênicas, ela fez o pós-doutorado sobre a comunicação teatral desenvolvida por Eugênio Barba, diretor do grupo Odin Teatret, da Dinamarca. O grupo trouxe o espetáculo ''Salt'' e, como sempre, arrancou elogios do público. ''Coincidentemente'', Linda Bulik disse que foi um dos espetáculos de que mais gostou, e afirmou que a performance da atriz Roberta Carreri foi sublime. ''Ela é uma das melhores atrizes que já vi. Também gostei muito do ator Cacá Carvalho (''A Poltrona Escura''), que abriu o festival. Ele é um dos maiores atores brasileiros'', ressaltou.
A família Guelere não mediu esforços para acompanhar a intensidade do festival. ''Família unida curte o FILO junta'' foi o lema deles. A professora aposentada Sônia, sua filha Fernanda, estagiária de Direito, e o neto Caio, de 7 anos, formaram um trio constante nos 17 dias de festival. ''Era um corre-corre, mas tentamos assitir a quase todos. Apesar de morarmos no Centro, fomos até o Cinco Conjuntos assistir à 'Menina de Giz'', que foi maravilhoso'', afirmou a aposentada que sugeriu que as peças das localidades mais afastadas também fossem apresentadas no centro e vice-versa. Entre as peças que mais gostou, citou ''Cuentos PequeÀos'', de Hugo y Inés, do Peru. ''Foi uma desmonstração de genialidade e encantamento.''
A atriz Cassiane Tomilheiro também se esforçou para contemplar a maior parte das peças do FILO. Apesar de algumas críticas desfavoráveis que a peça recebeu, disse que gostou muito de ''A Luta do Negro e dos Cães'', do grupo Volksbuhne, da Alemanha. Ela criticou a performance do grupo Cabauêba, de Fortaleza (CE), que mostrou ''Linha Férrea''. ''Fiquei muito incomodada pela falta de qualidade deles.''
O casal de fotógrafos Patrícia Gimenez e Ciro Carlos de Oliveira compara a ida ao festival a uma ''viagem fotográfica''. ''Alguns espetáculos proporcionariam imagens maravilhosas'', argumentou Patrícia. Dentro dessa idéia de valorizar o plástico, citou ''After Eros'', espetáculo da bailarina Maureen Fleming, dos Estados Unidos. ''Foi impressionante ver aquilo. É surreal, lúdico, teve uma luz mágica e a gente sai com uma sensação de leveza.''
A jornalista e produtora cultural Denise Gentil ponderou que pelo fato do FILO ter tido uma programação mais concentrada em 2005, esteve mais sujeito às críticas. ''As pessoas ainda não estão acostumadas ao experimental. Veja a reação ao espetáculo alemão.'' O retorno do Cabaré também foi elogiado por ela: ''Trouxeram nomes que dificilmente teríamos na cidade se não fosse o festival''.
Quem também ficou contente com a boa presença de público do Filo foi a pipoqueira Neusa Campos Guisleri. Há 20 anos ela trabalha vendendo pipocas e informou que em eventos como o festival chega a ganhar até R$ 180,00 por noite. Seu ponto fixo é em frente ao Colégio Hugo Simas, mas não perde nenhum dos eventos culturais. ''Sempre me informo nas portarias dos teatros sobre os eventos e quanto mais movimentação melhor'', disse. De vez em quando também se dá folga e assiste a uma peça ou apresentação musical, mas o seu ganha-pão é prioridade. É a arte movimentando a cultura e também a economia local.


