''Copélia'' é o balé de repertório que abre hoje a programação do Festival de Dança de Joinville. Em uma única apresentação, o Balé do Teatro de Colón da Argentina apresenta a versão completa do clássico. Em cena, 65 bailarinos, cenário e 2,5 toneladas de equipamentos. Outra atração internacional é o Ballet du Grand Théâtre Genève, que dança no Centreventos Cao Hansen na noite de Gala do Festival, na segunda-feira a companhia também fará apresentações no Rio, na sexta e no sábado, no Teatro Odylo Costa, e, em São Paulo, nos dias 28 e 29, no Teatro Alfa.
O festival agita a cidade catarinense até o dia 31, com mais de 4.500 participantes. Cerca de 50 mil espectadores são esperados para assistir aos espetáculos. Com tanta gente envolvida, os organizadores apostaram na diversidade, que começou na escolha dos quatro membros do conselho executivo: o pesquisador Roberto Pereira; o coreógrafo do Grupo Cena 11, Alejandro Ahamed; a diretora do Grupo Raça, Roseli Rodrigues; e a dama do balé Addy Addor. O eclético grupo teve como incumbência fazer a formatação técnica e artística do festival, indicar companhias e formular um regulamento para a mostra competitiva. ''O trabalho foi intenso, recebemos propostas de mais de mil grupos para selecionarmos cerca de 200. O trabalho é tremendo, mas soubemos realizar de forma harmoniosa e com muito respeito'', diz Pereira.
A escolha de ''Copélia'' para a abertura tem caráter didático, segundo o conselheiro. ''Decidimos apresentar um balé de repertório completo, com cenários e figurinos, para que os participantes do festival possam conhecer uma obra inteira e auxiliar no processo de formação de platéia'', diz Pereira. Em um primeiro momento, os organizadores consultaram o Balé do Teatro Municipal do Rio, mas como não foi possível levar a companhia, optaram pelo grupo argentino. ''Como o Ballet du Grand Théâtre Genève está no Brasil, foi fácil convidar a companhia para a noite de gala.''
O balé ''Copélia'' conta a história de um triângulo amoroso entre a jovem Swanilda, seu noivo Franz e Copélia, uma boneca mecânica criada pelo Dr. Coppelius. De tão perfeita, a obra-prima do Dr. Coppelius desperta o interesse de Franz. Orgulhoso de sua criação, Dr. Coppelius costuma deixar Copélia na janela de sua fábrica de bonecos, fazendo o movimento mecânico de atirar beijos. Franz vê Copélia e pensa que ela é filha de Coppelius. Swanilda surpreende o noivo respondendo aos beijos mecânicos da boneca e ameaça romper o noivado. Morrendo de ciúmes, Swanilda consegue entrar na fábrica e descobre que Copélia é uma boneca. A jovem veste as roupas da boneca e assume o seu lugar, engana seu noivo e o inventor da boneca. Por fim, depois de uma série de confusões, revela sua identidade. No fim, o casamento e o tradicional final feliz.
Outro destaque da extensa programação é a Mostra de Dança Contemporânea, que ocorre de sexta a domingo, no Teatro Juarez Machado. A mostra nasceu em 2001 e leva ao palco trabalhos de companhias profissionais de dança contemporânea. O objetivo da mostra é valorizar a investigação e, ainda, promover a formação de platéia, ao levar novas tendências e linguagens diferentes de dança para os estudantes que participam do festival.
Neste ano, algumas estrelas brilham por lá, como a Esther Weitzmann Companhia de Dança com Terras, Paula Águas que encena o curioso ''Qual É a Música?'', Cláudia Muller com ''Dois do Seis de Setenta'', Staccato Dança Contemporânea e os ''Coreografismos'' e Membros Cia. de Dança com ''Raio X, Elemento Bruto'' e ''Meio Fio'', todos do Rio. E como representante de Santa Catarina, ''Pausa'', do Kaiowas Grupo de Dança. ''Da Mostra Contemporânea eu destacaria a estréia de 'Coreografismos', de Paulo Caldas'', observa Pereira. De acordo com ele, os conselheiros foram cautelosos na seleção dos espetáculos para a Mostra. ''Pretendemos conquistar as pessoas aos poucos, mesclamos espetáculos mais fáceis, mais acessíveis, com trabalhos mais densos. Não pretendemos assustar as pessoas, mas trazê-las aos poucos para a dança contemporânea.''
Além de uma série de cursos, workshops e oficinas, os participantes poderão conferir a programação da mostra competitiva e uma paralela, realizada em palcos alternativos instalados em praças, ruas, hospitais e shoppings. Mais informações no site www.festivaldedanca.com.br.

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