Quase ninguém se lembra deles, mas todo cantor, ou professor na área de música que se preze, sabe do valor dos pianistas acompanhadores. Muitas vezes, a eficiência do trabalho depende em grande parte do desempenho desses profissionais que acabam se tornando os ''ilustres anônimos'', principalmente em atuações que exigem resposta rápida, como em oficinas de festivais. Essa situação não é diferente no 24º Festival de Música de Londrina (FML), que está termina amanhã. Para esta edição do festival, foram disponibilizados oito pianistas acompanhadores, alguns requisitados com exclusividade por profissionais renomados.
É o caso da professora de montagem de espetáculo e canto Regina Lucatto, que pelo terceiro ano consecutivo está sendo acompanhada pelo pianista Marcelo Caldi. Os dois trabalham juntos no grupo musical ''Garganta Profunda'', do Rio de Janeiro, fundado há 20 anos, e a simbiose é constante. ''No olhar, a gente já se entende e com a presença dele o trabalho fica mais ágil. Realmente faço questão que ele participe; não dá para montar um espetáculo em tão pouco tempo sem um profissional que não responda rápido. O objetivo é ter um belo piano e espaço para mostrar o trabalho de voz'', destacou Regina.
Caldi, 24 anos, que está no último ano do curso de composição na Unirio, começou a tocar aos 11 anos com a sua mãe, a pianista argentina Estela Caldi. Com um formação bastante eclética, Caldi também estudou harmonia e percepção com profissionais renomados. Com formação erudita em piano, Caldi mostra a sua versatilidade tocando sanfona em ritmos que vai do tango ao forró. ''O mercado atual força o músico a ter versatilidade. Acredito que temos que fazer tanto o erudito quanto o popular bem'', comentou. Sobre o convite para participar do festival como acompanhador da Regina Lucatto, Caldi disse que considera isso ''uma honra e um prestígio''. ''Ela é uma profissional que tem grande reconhecimento e eu acabo ganhando por tabela ao mostrar a minha eficiência também'', disse.
Pela primeira vez trabalhando como pianista acompanhador, Murilo Barbosa, 25 anos, acompanhou as aulas da cantora Isa Taube, responsável pela oficina de Interpretação Vocal. Formado recentemente em jornalismo, Barbosa contou que não teve nenhuma formação erudita de piano. Há três anos ele montou o Londrina Jazz Trio e toca na noite desde os 15 anos. O convite para ser pianista acompanhador veio de forma inesperada, mas Barbosa aprovou a experiência. ''A área de MPB eu conheço bem e foi maravilhosa a oportunidade que tive. Também participei das aulas da Isa Taube e aprendi muito. No trabalho como acompanhador, tive que improvisar arranjos e destacar as interpretações dos cantores'', explicou.
Reconhecidos profissionalmente como pianistas acompanhadores, o casal Ben Hur e Magdalena Cionek, de Curitiba, estão tendo que seguir uma agenda exaustiva de acompanhamentos em diversas oficinas. O assunto é tão sério que o acompanhamento fez parte dos estudos de mestrado de Ben Hur, nos Estados Unidos, que pode voltar a pesquisar o assunto no ano que vem como tese de doutorado. ''Isso é uma profissão. No meu caso, além de tocar bem, tive que estudar as línguas que predominam na ópera para poder colaborar na orientação dos cantores. Ninguém imagina o trabalho que acontece nos bastidores, entre quatro paredes. Normalmente o pianista acompanhador tem que tocar à primeira vista, no andamento e dinâmica certos, sem errar. Tudo é muito rápido e ágil e temos que considerar as décadas de experiência que o profissional precisa ter'', reforçou Cionek, de 34 anos, dos quais 27 anos dedicados ao piano.

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