Uma Big Band distinta, criada como projeto de extensão universitária, vem da região central do país para fazer duas apresentações no 23º Festival de Música de Londrina.
Hoje e amanhã, a banda Pequi sobe ao palco com um repertório eclético aliando os tradicionais standards a composições emprestadas de variados gêneros da música brasileira como samba, baião, frevo, gafieira e maracatu. ''É uma salada boa. Acho que o público vai gostar'' diz o maestro e diretor Jarbas Cavendish.
Além da Pequi, a programação de hoje destaca duas atrações locais: o grupo Maracatu Nação Terra Vermelha, que se apresenta no Centro Social Urbano da Vila Portuguesa às 16 horas, e a Banda Champagnat, que toca no Teatro Marista a partir 19h30. O Maracatu é um projeto patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
Suas atividades são desenvolvidas no distrito de Lerroville, com a participação de vinte e quatro moradores da região. O grupo envolve batuqueiros e dançarinos que, em cortejo, representam o desfile de uma corte africana com trajes suntuosos e anunciado por um toque enérgico de tambores junto a mineiros, agogôs e caixas.
A Banda Champagnat, por sua vez, é um dos patrimônios musicais ainda subestimados de Londrina. Formada originalmente por alunos do colégio estadual que lhe empresta o nome, surgiu como alternativa cultural complementar às atividades regulares de sala de aula. Posteriormente, passou a absorver músicos da comunidade em geral, apoiando-se em 34 anos de atuação e diversos prêmios conquistados em festivais e concursos pelo país.
No concerto de hoje, executará composições como ''O Poeta e o Camponês'' de Von Supê; ''Star and Striper Forever'' de John Philip Sousa; ''Interplay For Band'' de Ted Huggens; e ''Novena'' de James Swearinger. Já a big band Pequi preparou um programa eclético que inclui ''Fly me to the Moon'' de Frank Sinatra (com arranjo de Edson Rodrigues); ''Day Tripper'' dos Beatles; ''Fé Cega Faca Amolada'' de Milton Nascimento; ''Caribe'' de Waley Neing (com arranjo de Dimas Sedicias); ''Birdland'' de Josef Zawinul (arranjo de Flávio Lima); e ''Andréa no Frevo'' de Ademir Jr.
O conjunto foi formado há três anos por alunos e ex-alunos da Escola de Música e Artes Cênicas Universidade Federal de Goiás. ''A idéia não era montar uma banda e sair animando bailes por aí'' explica o maestro. ''Tínhamos o suporte acadêmico. Ela surgiu quase como uma disciplina dentro do curso a partir da reunião de músicos para a prática de conjunto. Depois, delineou-se a proposta de uma big band com o objetivo de desenvolver pesquisas e executar ritmos populares diversos. Hoje, já extravasamos os limites do campus, já somos conhecidos fora da Universidade''.
Cavendish dirige o grupo ao lado de Alexandre Magno. Ele é professor de harmonia funcional da UFG e já se apresentou no Free Jazz Festival como tecladista. O parceiro, por sua vez, é Mestre em música pela Iowa University (EUA) e tem passagens pelo Conservatório de Paris, além de atuar como professor de trombone na UFG.
Com os demais integrantes, a dupla coordena o projeto PequiNet, através do qual as partituras tocadas pela banda são editadas e comercializadas via Internet ajudando a divulgar obras e arranjos originais de compositores interpretados pelos músicos. Após a passagem por Londrina, a Big Band retorna a Goiânia para gravar o primeiro CD, com respaldo das leis municipal e estadual de Incentivo à Cultura e da Fundação de Amparo à Pesquisa.

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