Sim, eles falam russo. Russo, grego, enfim...É preciso estar disposto a soltar as mãos de qualquer referência artística para absorver a instalação ''White Cabin'', do grupo Akhe Group, da Rússia, estréia do 38º Festival Internacional de Londrina hoje, às 20h30, no Teatro Ouro Verde.
Durante a entrevista coletiva para falar sobre a performance, um dos autores da concepção, Maxim Isaev, escondeu muito bem escondida, atrás do protuberante cavanhaque, qualquer palavra - em russo ou em inglês - que esclarecesse um pouco do que o público assistirá em ''White Cabin''.
''Queremos que o espectador se coloque no lugar dos personagens''. A afirmação de Isaev é o mais próximo que podemos chegar, tateando no escuro de um dos espetáculos mais esperados da edição 2005 do FILO, antes de assisti-lo.
A distância que separa culturalmente o Brasil da Rússia, na instalação, é aproximada pelo istmo da universalidade da arte. Mas não é só isso.
Apesar de Isaev negar que a performance é inspirada no surrealismo, mas na contemporaneidade, a sensação que provoca é que estamos sendo empurrados contra a lógica.
Isso não é surrealismo? Isaev prefere guardar segredo. O quadro que se pinta no palco é pincelado com imagens de pinturas, fotografias e vídeos - notadamente uma incorporação das artes visuais, cinema e do próprio teatro.
Então, que nome se dá a esse tipo de performance? O ator russo denomina teatro-ótico. Nós vamos ficar com a definição de teatro-visual.
Fundado em 1989 pelos atores Maxim Isaev, Pavel Semtchenko, Vadim Vasilev, membros do Teatro Yes - No, de Boris Ponizovski, inicialmente, o grupo trabalhava com performances e cinema.
A partir de 1996, o Akhe Group foi criado, sendo que o primeiro espetáculo para palco tradicional foi ''Catálogo do Herói''. O grupo de San Petesburgo tem se apresentado em festivais de teatro da Rússia e outros países. ''White Cabin'' foi atração da edição 2002 do Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte.
Isaev se restringe a dizer que o espetáculo é sobre a vida. Apertando um pouco mais o ator, ele deixa escapar que fala a respeito do amor. Dando mais uma apertadinha nele, conseguimos extrair que trata dos altos e baixos das relações.
Criado antes da cortina de ferro ser rasgada, a participação do Akhe Group no FILO desperta a curiosidade sobre o teatro contemporâneo do leste europeu.
Como nas perguntas sobre a instalação, Isaev limitou-se a dizer que é lógico que o teatro russo hoje tem mais liberdade, porém, o Akhe Group não quer falar de política. Nem o Akhe e muito menos Isaev. Uma entrevista quase que monossilábica foi só o que se conseguiu dele. Porém, podemos esperar algo mais absurdo do que uma coletiva em que - ainda que se falasse um inglês arranhado - continuava-se a falar em russo.

FICHA TÉCNICA
Concepção: Maxim Isaev e Pavel Semptchenko
Elenco: Maksim Isaev, Pavel Semtchenko e Yana Tumina
Música: Nikolai Soudnik
Iluminação: Vadim Golobov
Som: Andrey Sizintsev
Duração: 70 minutos
Faixa etária: acima de 14 anos

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