FESTIVAL - Alto teor de refinamento sonoro
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sexta-feira, 14 de julho de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A Orquestra Sinfônica do Paraná comemora a agenda cheia. Na quinta-feira os músicos se apresentaram em Maringá. Ontem foram recebidos em Apucarana. Hoje e amanhã chegam a Londrina fechando a miniturnê pela região. Todo o roteiro integra a programação do 26º Festival de Música de Londrina, cuja abertura oficial ocorre amanhã no Teatro Marista.
É no Marista que a OSP apresenta hoje o ''Concerto de Gala Sandoz'', assim batizado em referência a uma das empresas patrocinadoras do Festival. Sob a batuta do maestro alemão Hans-Peter Frank, os músicos abrem o programa do espetáculo com o tema ''Leonora III Ouverture, Op. 72'', de Ludwig van Beethoven (1770-1827). Em seguida, interpretam o ''Concerto Nº2 para piano e orquestra em Dó menor, Op. 18'', de Sergei Rachmaninoff (1873-1943).
Segundo a lenda, Rachmaninoff teria escrito esta obra sob hipnose, com o auxílio de um médico. Os historiadores, porém, refutam tal suposição argumentando que a peça fora gestada em 1901, pouco depois do compositor ter-se recuperado de um colapso nervoso. De acordo com o pianista e diretor artístico do Festival, Marco Antônio de Almeida, a peça segue o esquema clássico-romântico em três movimentos incrustando uma seção lenta em meio a dois extremos de caráter mais animado.
''Cada uma das seções, no entanto, é tratada de maneira bastante livre, o que acaba por aproximar a partitura do gênero fantasia ou mesmo rapsódia'' escreve ele no material de divulgação. A execução do tema contará com solo da pianista venezuelana Alícia Gabriela Martinez, de 22 anos, que estuda com Almeida em Hamburgo, na Alemanha, onde é bolsista da Fundação Meijer-Werner. Ela também é aluna de Mestrado na Juilliard School de Nova York (EUA).
Talentosa, dá continuidade a uma tradição musical de família pelo lado materno fazendo parte da quinta geração de mulheres pianistas. Esta é a primeira vez que se apresenta no Brasil. Apesar da idade, já tocou com várias orquestras ao redor do mundo incluindo Estados Unidos, Europa e Japão. Após sua performance, a OSP fecha o repertório da noite interpretando a ''Sinfonia D-Dur No. 2, Op. 73'', de Brahms.
Formada por 61 músicos, a Orquestra curitibana festejou duas décadas de atividades no ano passado. Ao longo do percurso, já fez mais de 500 apresentações. Seu primeiro maestro titular foi Alceo Bocchino, que foi sucedido por Roberto Duarte, Jamil Maluf e Alessandro Sangiorgi. Na atual temporada, conta com o regente alemão Hans-Peter Frank à frente dos músicos.
O maestro convidado tem 69 anos. Iniciou sua carreira como assistente de Kurt Masur no Staatstheater Schwerin, e de Otmar Suitner no Staatsoper Dresden. Ao lado de Kurt Sanderling, foi durante 15 anos regente titular e diretor artístico substituto da Berliner Sinfonie-Orchester. Foi maestro titular também da Helsingborg Symfoniorkester na Suécia e da Staatskapelle de Weimar, com a qual realizou várias turnês na Alemanha, Israel e Estados Unidos. Em 1990 foi indicado para o cargo de maestro honorário, além de receber a comenda de ''Cavaleiro da Ordem da Estrela do Norte'' do rei da Suécia.
O concerto de hoje à noite terá um caráter especial marcando o início da campanha de solidariedade do Festival. A partir de agora, todos os concertos pagos terão uma parte dos valores revertida para o Hospital do Câncer de Londrina. Para isso, basta o público guardar o canhoto do ingresso e entregá-lo em alguma unidade das Farmácias Vale Verde, parceira da empresa Sandoz na iniciativa.


