FESTIVAL - Acordes iniciais
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quarta-feira, 06 de julho de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Um discurso otimista pautou a entrevista coletiva realizada na manhã de ontem durante o lançamento do 25º Festival de Música de Londrina. O diretor artístico Marco Antonio de Almeida, todavia, não conseguiu esconder o mal-estar com o atraso no cronograma da organização do evento.
Atraso que podia ser notado no próprio material divulgado à imprensa cuja programação oferecia apenas as atrações previstas para os quatro primeiros dias do evento. O festival começa amanhã e se estende até o dia 23 desse mês reunindo concertos, cursos, oficinas e palestras. Como de praxe, será inaugurado com a realização do Simpósio Paranaense de Educação Musical, que em sua 11 edição aborda o tema ''Por uma Educação Rizomática''.
''Nosso slogan este ano é 'O Festival de Todas as Músicas'. O título pode parecer provocativo, mas é arrogante no bom sentido. A idéia é abrir o leque deixando de lado essa divisão de erudito e popular. Vamos ter tango, gospel, bateria de escola de samba. A proposta é englobar todas as formas musicais, mas zelando pela qualidade, pelo bom nível'' explicou Almeida, que concedeu entrevista ao lado da coordenadora do Simpósio de Educação Musical, Fátima Carneiro.
Segundo ele, estão garantidos R$ 450 mil para a realização do Festival. As verbas são oriundas do Governo do Estado, Prefeitura Municipal, Universidade Estadual de Londrina, Ministério do Turismo e Eletrosul. No ano passado, o orçamento foi de R$ 510 mil. A Orquestra Sinfônica da UEL (Osuel) abre oficilmente o festival no domingo com um concerto, às 20h30, no Teatro Ouro Verde, sob regência do maestro Henrique Vieira. O próprio diretor artístico do Festival será o solista convidado.
Pianista renomado, Almeida executará com os músicos a peça ''Fantasia'', de Beethoven. A interpretação contará ainda com as vozes de diversos coros locais. Na segunda-feira, será a vez da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) se apresentar nos mesmos local e horário, sob a batuta do regente Alessandro Sangiorgi. Ainda não fechada, a programação artística vai destacar este ano atrações internacionais como o acordeonista russo Wladimir Zubtzki, o violoncelista alemão Clemens Malich, o pianista polonês Piotr Oczkowski, a violinista norte-americana Eva Szekely e a pianista argentina Mirtah Herrera.
Entre as atrações nacionais figuram o Quinteto de Sopros de Brasília, a Orquestra Jovem de Cordas da Escola de Música da Universidade Federal do Pará, os Grupos de Choro e de MPB de Tatuí, o grupo Paulo Flores e Cambanda Jazz Combo (também de Tatuí) e o grupo EnCanto Negro, Gospels e Spirituals (de Curitiba). Além deles, pelo menos duas dezenas de artistas locais estão escalados para subir aos palcos.
A turma de pratas-da-casa inclui o Duo Açu, o Clube do Choro, o Grupo Neuma de Música Antiga, o Quarteto de Metais do Paraná, o Clube do Tango de Londrina e a Orquestra de Câmara Solistas de Londrina. As apresentações serão realizadas em teatros, praças, igrejas, escolas, universidades, creches, asilos, hospitais, empresas e penitenciárias. Almeida salienta que pretende reforçar projetos musicais duradouros, que permaneçam após o fim do festival.
''Não acredito em festival que acontece em duas semanas. Evento é como o vento que passa. Por isso, quero valorizar atividades que tenham continuidade ao longo do ano como a musicalização de crianças na periferia e crianças com necessidades especiais'' diz. O diretor conta que, ao organizar a grade pedagógica, privilegiou atividades práticas em vez de teóricas. O bloco didático do FML oferecerá 64 cursos, entre práticas de conjunto, aulas instrumentais, vocais e de regência e música histórica; além de oficinas de MPB e choro.
Almeida destaca o curso ''Escutando Todos os Sons e Todas as Músicas'', a ser ministrado pela musicista Janete El Haouli, como o ''base do Festival''. O curso será realizado numa jornada de 18 horas entre os dias 11 e 23, das 15h30 às 17 horas, no anfiteatro da Associação Médica. Um resumo do curso o indica a todas as pessoas interessadas em pensar com os ouvidos. ''A proposta é possibilitar a escuta de repertórios musicais de diferentes estilos, tendências, épocas e sociedades músicas modais, tonais, pós-tonais e atuais situando a discussão diacronicamente e buscando ampliar o conceito sobre música e escuta, estabelecendo conexões entre os diferentes modos em que a música foi construída'' enfatiza o texto.
A exemplo do ano passado, o ''quartel general'' do Festival será o Colégio Hugo Simas, no centro de Londrina. Serão ministradas aulas também em locais como o Colégio Evaristo da Veiga, Casa de Cultura da UEL, Colégio Aplicação e Associação Médica. Estão previstas ainda extensões do Festival em cidades da região como Cambé, Ibiporã, Apucarana, Jataizinho, Maringá e Porecatu. Em todas elas, serão levados concertos de músicos convidados e de alunos participantes.
Os ingressos para esta 25 edição do evento estarão à venda a R$ 6,00 e R$ 3,00 (meia-entrada). Para o concerto da OSUEL, na abertura oficial, os convites deverão ser retirados com antecedência no sábado, das 14h às 18 horas, na portaria do Teatro Ouro Verde.


