Curitiba - Em meio a centenas de peças, na sua maioria com tons de drama e tragédia, o público pode assistir neste final de semana à comédia ''Porcus'', trabalho de estréia do grupo de pesquisa Antropofocus, de Curitiba, na Mostra Oficial do Festival de Teatro 2007. Este é o quinto ano seguido que o grupo participa do festival. A expectativa para a edição 2007, no entanto, é muito maior, uma vez que este ano o espetáculo integra a mostra principal.
Para o público, a expectativa também é grande. Nas edições anteriores, o trabalho do Antropofocus sempre se destacou. Em 2003, a companhia ocupou o pequeno Teatro Cultura, com sua primeira peça, ''Amores & Sacanagens Urbanas'', que teve mais duas sessões extras devido ao grande sucesso. Em 2004, foi indicado pelos principais jornais do país como um dos destaques do Fringe, com o espetáculo ''Pequenas Caquinhas''.
O reconhecimento aos trabalhos anteriores já garantiu casa lotada nas duas apresentações previstas, amanhã e domingo, às 20h30, no Auditório Salvador de Ferrante, o Guarinha, e mais uma sessão extra no domingo, que também já está com ingressos esgotados. Mas quem quiser ver o grupo, ainda tem a chance de ver três montagens que já foram sucesso em Curitiba. Além de ''Amores'' e ''Pequenas Caquinhas'', também está em cartaz no Fringe ''Esteriotipationices''.
''Nós somos um grupo de pesquisas de comédia. Sempre estamos voltados para o humor, tentando explorar novas facetas, para escapar dos clichês e da apelação'', explica o diretor do grupo Andrei Moscheto. Dentro dessa preocupação em inovar, o grupo partiu agora para um trabalho de dramaturgia cômica extensa. Acostumados a criar cenas curtas em suas peças anteriores, o projeto atual é o primeiro ''longa-metragem'' do grupo.
''Porcus'' narra uma história que começa em 1989, ano marcado pela queda do Muro de Berlim e suas repercussões: o fim da Guerra Fria, a união das duas Alemanhas e a falência da potente Rússia. No Brasil, por outro lado, após um período de ditadura militar a população vai às urnas eleger pelo voto direto o novo presidente da República.
É nesse contexto que os líderes do mundo se reúnem, na noite de Ano Novo, para decidir o futuro do nosso planeta. Nessa reunião, eles decidem as coisas que devem ser eliminadas de suas culturas para que o mundo seja melhor. Tudo que é expelido, deve ser jogado fora, nos esgotos. Mas não é o que acontece. Em meio ao ''lixo cultural'' nos esgotos, nasce uma nova civilização. No futuro, bem depois de 1989, no entanto, uma pessoa da superfície acaba caindo no mundo dos esgotos e acaba encontrando o que aconteceu com as coisas jogadas fora.
''A idéia é mostrar o que aconteceria com o mundo se seus líderes dissessem o que serve para eles e jogassem fora o que não queriam mais. E mostrar como seria o mundo só com coisas que o mundo não quer mais'', explica Moscheto. Criação coletiva do grupo, com direção de Hélcio Pimentel, oito atores entram em cena, cada um representando quatro a cinco personagens.

Serviço
- Espetáculo ''Porcus'', o grupo Antropofocus, de Curitiba. Sábado e Domingo, no Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha).Ingressos a R$ 26,00 e R$ 13,00

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