Curitiba A experiência como administrador público vivida pelo ator Celso Frateschi à frente da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo (entre 2001 e 2004) serviu como ponto de partida para ele adaptar o espetáculo ''Sonho de um Homem Ridículo'', de Fiódor Dostoievski. A peça tem poucos pontos em comum com a realidade, mas fala sobre questões éticas individuais e coletivas que se relacionam com o poder público. Frateschi deixou o cargo político em 1º de janeiro do ano passado e no dia seguinte mergulhou nos estudos sobre a obra. Adaptou o texto baseado em quatro versões, três em português e uma em castelhano, até criar uma nova, encenada por ele e dirigida pelo veterano Roberto Lage. E é essa montagem que é apresentada a partir hoje, pela primeira vez em Curitiba, na grade oficial do Festival de Teatro de Curitiba.
O monólogo estreou em agosto do ano passado, depois de meses de maturação do texto e de ensaios. Marca a volta de Frateschi aos palcos e também o retorno de uma parceria antiga com o diretor, iniciada dentro do grupo Ágora, de São Paulo. O grupo, aliás, como salienta Frateschi, tem uma maneira própria de trabalhar os textos encenados. ''Nós nunca trabalhamos de uma forma muito colaborativa quando a questão é o texto. Achamos que o dramaturgo deve fazer o seu trabalho primeiro. Depois disso nós não mexemos muito com o texto'', revela. O fato de Frateschi atuar e também assinar a adaptação do conto homônimo de Dostoiévski não alterou essa forma de trabalho. ''Foi uma questão que resolvi fazendo primeiro uma coisa depois outra'', explica.
A história se passa na segunda metade do século XIX e narra as agruras de um funcionário público extremamente individualista. Tão individualista que decide pelo suicídio. No dia em que o ato deve ser realizado, ele é abordado por uma menina e a espanta aos berros. Volta para casa com a intenção de se matar, mas o inesperado acontece. O homem dorme e sonha com a própria morte, sem executá-la propriamente.
A montagem tem cenários e figurinos assinados por Sylvia Moreira, que optou por construir paredes feitas de livros e processos de papel. O cenário também abre espaço para projeções de imagens subjetivas. ''O público vai poder construir sua própria imagem'', adianta Frateschi. Ator, diretor e dramaturgo, nascido em São Paulo, Celso Frateschi começou a fazer teatro nos anos da ditadura. Acumula experiência nos palcos e na TV, onde viveu o papel do anjo Ezequiel na novela global ''O Beijo do Vampiro'', em sua primeira participação com um personagem permanente em uma novela.
Antes de assumir o cargo público da secretaria de cultura paulista, e abandonar os palcos temporiamente por isso, Frateschi participou, entre outras
montagens, dos espetáculos ''Da Gaivota'' e ''Tio Vânia'', ambas de Anton Tchekov, e ''Diana'', escrita pelo próprio Frateschi. Viveu o diabo, na montagem de ''O Evangelho Segundo Jesus Cristo'', do escritor português José Saramago. Depois das apresentações de ''Sonho de um Homem Ridículo'' no FTC, que acontecem apenas hoje e amanhã, volta a se dedicar aos ensaios do espetáculo Ricardo III, também com direção de Roberto Lage, que estréia em maio, em São Paulo, reabrindo o Espaço Ágora.
Além de ''Sonho...'', estão em cartaz na Mostra Oficial do FTC hoje, ''Otelo da Mangueira'', ''Rastro de Luz - Molly Sweeney'', ''Oração para um pé de Chinelo'' e ''Hygiene''.

Serviço:
- 15º Festival de Teatro de Curitiba. ''Sonho de um Homem Ridículo'', às 20h30, hoje e amanhã, no Sesc da Esquina. Ingressos a R$ 24,00 e R$ 12,00. Veja a programação completa no site www.festivaldeteatro.com.br

mockup