FESTIVAL - A arte como mecanismo de integração
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segunda-feira, 23 de maio de 2005
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Mais uma vez Corumbá, histórica cidade do Mato Grosso do Sul, transforma-se em importante pólo sinalizador de cultura e integração através do Festival América do Sul. O evento, aberto oficialmente no último sábado e que prossegue até o dia 28, abriga uma repleta e eclética programação artística, além de painéis e seminários destinados às discussões culturais, turísticas, de comunicação, de desenvolvimento e integração do continente. Durante os oito dias, o evento terá aproximadamente 240 atividades música, artes plásticas, cinema, teatro, artesanato, entre outras áreas e contará com a participação de representantes de dez países sul-americanos. São eles: Brasil, Bolívia, Chile, Paraguai, Argentina, Uruguai, Venezuela, Peru, Equador e Colômbia.
O Festival América do Sul 2005 instala-se nove meses depois da primeira edição, ocorrida em setembro do ano passado. A alteração do calendário se deu basicamente pelo fato de em maio a temperatura ser mais amena média entre 22 e 26 graus e o Pantanal estar visualmente mais atrativo aos turistas. Originalmente o evento deveria acontecer a cada dois anos, mas a organização entendeu que a próxima edição, em 2006, acabaria acontecendo em ano eleitoral e gerando possíveis vinculações políticas.
As expectativas são as melhores possíveis. ''Tudo está acontecendo de forma gradativa, mas sabemos que não é possível dar eco maior de um ano para outro. O Festival é um dos mecanismos que colaboram para a integração sul-americana e geograficamente Corumbá tem vocação natural para isso'', analisa Pedro Ortale, presidente da Fundação Cultural do Mato Grosso do Sul e coordenador-geral do evento. Segundo ele, mesmo com pouco tempo de existência, o festival já pode ser reconhecido como um importante evento conceitual e artístico, embora seja preciso ainda uma articulação maior com a mídia sul-americana.
São esperadas 150 mil pessoas, 35 mil a mais do total de espectadores do evento do ano passado. A programação artística será composta várias atividades artísticas realizadas em Corumbá e também na cidade de Ladário e em Puerto Quijarro e Puerto Suarez (ambos na Bolívia). Na parte musical, até sábado vão se apresentar artistas nacionais consagrados como João Bosco, Martinho da Vila, Leci Brandão, entre outros. Do exterior, o elenco foi formado pela peruana Susana Baca, o argentino Pedro Aznar e os paraguaios Alberto de Luque e Hugo Ferreira, só para citar alguns.
Na área teatral, os grupos Intrépida Trupe (Rio de Janeiro), Galpão (Minas Gerais) são algumas das atrações, bem como a companhia de Dança Quasar, além de manifestações folclóricas da Venezuela e Bolívia. A Mostra de Cinema ganhou um fôlego a mais e, nessa edição, vai exibir 60 títulos, dos quais 12 longas-metragens produzidos pelos países participantes. Nas artes plásticas, sete artistas de sete países vão expor suas obras. O público terá acesso livre a quase todas as atividades do Festival, com exceção dos shows no Pavilhão do Porto, cujos ingressos custam R$ 10,00 e R$ 5,00 (estudantes).
Algumas novidades também rondam a programação. A começar pelo Quebra-Torto com Letras, espaço para lançamento de livros, debates e performances acompanhado de um autêntico e suculento café da manhã pantaneiro no cardápio constam, por exemplo, chipas (espécie de pão de queijo), arroz carreteiro, ovos, enfim uma alimentação completa aos moldes do que é consumido pelos pantaneiros. As bandas universitárias do Mato Grosso do Sul ganham espaço para apresentação no Palco Quarup.
O Festival América do Sul é promovido pelo Governo do Estado do Mato Grosso do Sul, através da Secretaria de Cultural e Fundação de Cultura, com patrocínio do Banco do Brasil e apoio do Governo Federal. O evento está orçado em R$ 3,5 milhões, praticamente a mesma importância utilizada na edição 2004. Deste montante, R$ 2,5 milhões vêm do Banco do Brasil e o restante da Eletrobrás, Funarte, Companhia Vale do Rio Doce, MS-Gás. Tam, Ministério do Turismo e Prefeitura de Corumbá. Pelo menos 600 pessoas estão diretamente envolvidas no evento que acontece na Cidade Branca, como carinhosamente Corumbá é chamada pela cor clara de suas terras ricas em calcário. Em outras palavras, a Capital do Pantanal está em festa.


