O legado de São Luís e Alcântara sugere ao visitante uma ironia: se, por um lado, a riqueza da aristocracia colonial ficou petrificada nos monumentos, a vocação sensualista das tradições indígena e africana permaneceu na música, na dança e na culinária local. A cultura popular da região sintetiza a conexão histórica dessas raças e em suas festas é possível decodificar a permanência de uma inspiração de origem européia ‘‘sobretudo religiosa’’ temperada com os hábitos musicais e gastronômicos de índios e negros.
O calendário das duas cidades garante atrações para, praticamente, o ano todo. Mas é entre junho e agosto que ocorrem alguns dos festejos populares mais interessantes, como as festas juninas e o Tambor da Crioula.
Para os maranhenses, não há festa junina sem bumba-meu-boi. Depois de meses se preparando para a festa, em junho os atabaques dos mais de 100 grupos de bumba-meu-boi invadem a capital para render homenagens a São João. Em agosto, tem o Tambor da Crioula, uma festa com coreografias e ritmos flagrantemente afros.
Para o turista que preferir um cancioneiro mais familiar, há as noites de reggae, ritmo jamaicano que, na década de 80, invadiu a ilha favorecido pela presença da comunidade de negros e pela proximidade com o Caribe. O delicioso disso tudo é que a indústria do turismo praticamente não afetou a tradição das festas. Poucas são improvisadas apenas para turista ver.
Parte considerável da cozinha regional flerta com o mar: peixes, mariscos, camarões, caranguejos e siris são preparados em cozidos e tortas variadas. Os maranhenses do litoral gabam-se de ter especial predileção por pratos de tempero moderado e pouca gordura. O arroz, produto fartamente cultivado nos tempos coloniais, é básico. Com camarão salgado e condimentos se transforma no tradicional arroz-de-cuxá. Há ainda o arroz-de-caranguejo e o arroz com vinagreira e camarão. Moquecas de peixe e caldeiradas atestam a proximidade com os hábitos do Norte. O caruru maranhense não nega a veia nordestina. A farinha de mandioca, outra herança indígena, é ingrediente com presença garantida em vários pratos. Doces e sorvetes de açaí, bacuri ou graviola marcam presença na hora da sobremesa. Cultura também se come.

TOME NOTAReproduçãoAutenticidadeA indústria do turismo praticamente não afetou a tradição das festas. Poucas são improvisadas apenas para turista verAgência Estado

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