‘‘Grande festa nordestina. Forró a cada segundo. Nós fazemos, em Campina, o Maior São João do Mundo.’’ O poeta Ronaldo Cunha Lima escreveu e o povo de Campina Grande assinou embaixo e nunca mais esqueceu esses versos. Longe de serem modestos, os campinenses adoram espalhar pelos quatro ventos que eles comemoram, todos os anos, a melhor e maior festa junina.
Os números só reforçam essa afirmação. Durante os 30 dias de festejos, ocorrem 470 shows musicais e 300 apresentações de grupos de dança folclórica e quadrilhas. São mais de 500 horas de forró que atraem um público de cerca de um milhão de pessoas. Os gastos da prefeitura também são desproporcionais: R$ 2 milhões em investimentos. Mas, segundo eles, o esforço vale a pena, pois nessa época a cidade fatura bem mais que no Natal. E o orgulho pela festa é tão grande que existe a tradição de comprar roupas novas para dar sorte, assim como muita gente faz no Réveillon.
A 130 quilômetros de João Pessoa, na Paraíba, Campina Grande, tem uma vantagem em relação a outras localidades nordestinas quando o assunto é São João. Por estar situada no alto do Planalto da Borborema, a 550 metros do nível do mar, a cidade revela nessa época do ano um clima serrano que convida a acender uma fogueira, tomar um quentão e dançar um forrozinho para esquentar a alma.
Quem se animou com o convite já tem a hora e o endereço certo para se divertir a noite inteira. É no Parque do Povo, uma praça com 42 mil metros quadrados, bem no centro da cidade, que a coisa ferve quando a noite começa. E é grátis!
Além do palco principal, onde se apresentam cantores e bandas consagrados, há ainda um forródromo em forma de pirâmide e cinco ilhas de forró onde as estrelas são os trios regionais e seu legítimo forró pé-de-serra. Lá, só entra quem estiver acompanhado, pois são lugares reservados para os pé-de-valsa. Quem quiser apenas observar o ‘‘rala-coxa’’ deve ficar do lado de fora.
Mas no Parque do Povo não há só pistas de dança e shows de forró. É possível passear pelas casinhas e capela da Vila Nova da Rainha – uma cidade cenográfica que leva o mesmo nome de Campina Grande em seus primórdios – e fazer compras nas 14 lojinhas de artesãos locais. Saindo de lá, passe pelo coreto e se divirta com a nega-maluca ou aprecie a fogueira de 18 metros de altura – símbolo da festa de São João, que marca o dia do nascimento do santo. Os mais aventureiros podem testar a agilidade no pau-de-sebo ou no cabo de guerra.
Se a fome ou a sede bater, não se preocupe. As 300 barraquinhas de comida, alugadas por restaurantes e lanchonetes da cidade, ficam abertas durante todo o festejo.
Como não podia deixar de ser, os campinenses preparam algumas surpresas para o folguedo da 21ª edição da festa junina, que este ano leva o rótulo ‘‘Na maior São João, brilham as estrelas’’. Um telão foi instalado no meio do forródromo para que os viciados em futebol possam aproveitar a festa sem perder nenhum lance dos jogos do Brasil. As outras duas novidades são bem radicais. Um rapel junino será montado no meio do forródromo e aqueles que quiserem conferir o movimento do folguedo das alturas poderão praticar tirolesa.
Fora desse grande arraial campinense, a noite também é muito animada. Há desde rodas de amigos dançando em volta de uma fogueira nas ruas a grandes shows nas casas noturnas da cidade.

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