FESTA VERDE-E-ROSA
Zeca Corrêa Leite
De Curitiba
Os 500 anos brasileiros, simbolizados nas cores verde-amarelo, vão ser comemorados com o verde-e-rosa da Mangueira numa festa que está sendo preparada para hoje, às 23 horas, no Estação Plaza Show. Espera-se o comparecimento de cerca de 10 mil pessoas que dançarão ao som da escola de samba carioca. Perto de 30 integrantes somente ritmistas serão 20 estão vindo do Rio de Janeiro. Entre eles estarão a dupla de mestre-sala e porta-bandeira Marquinhos e Geovana.
Eles serão recepcionados pelos sambistas paranaenses da Acadêmicos da Realeza, com um almoço, hoje, na quadra da escola, no bairro de Santa Quitéria. A idéia é mostrar que aqui em Curitiba também gostamos e fazemos bons sambas, disse Paulo Roberto Scheunemann.
Os promotores do evento anunciam que o prato principal será o enredo Dom Obá II Rei dos Esfarrapados, Príncipe do Povo, defendido no desfile do sambódromo deste ano. É a história verídica de um rei da nação iorubá que foi capturado e trazido como escravo ao Brasil.
Embora tenha amargado o cativeiro, fez sua linhagem ter sequência em Lençóis, cidade onde nasceu o filho Cândido da Fonseca Galvão, ou Dom Obá II. Este acaba tendo melhor sorte que o pai. Como defendeu o Brasil na Guerra do Paraguai, conquista a liberdade e se torna um homem respeitável. D. Pedro II o recebe com frequência na corte.
A Mangueira é mais que o símbolo verde-e-rosa, como é conhecida mesmo por aqueles que não se interessam por Carnaval. Criada a partir do Bloco dos Arengueiros, em 1928, teve como membros fundadores personagens que viriam a se tornar parte da história de nossa música como Cartola e Nelson Cavaquinho. Hoje transformou-se numa instituição com preocupações sociais que vão muito além do espetáculo carnavalesco.
Perto de 5 mil crianças são atendidas por programas assistenciais da escola de samba. Elas dedicam parte de seu tempo a 32 oficinas oferecidas, que vão desde aulas de dança, passando pela estética e informática e chegando até a escolinhas de esportes.
Nas raízes desse programa, que começou timidamente há 15 anos, está Célia Regina Domingues, mulher do atual presidente da Mangueira, Homero José dos Santos. Ela era funcionária da fábrica do cosmético Leite de Rosas, e como morava próximo ao morro, fez uma ponte de ligação entre a empresa e a comunidade.
No início ocorriam modestos patrocínios de torneios de futebol. Como a experiência estava dando certo, aos poucos a rede de apoios foi-se ampliando até envolver outras empresas e mesmo o Estado. O resultado são esses números divulgados pela Mangueira, que representam a solidez do papel da cidadania.
Festa dos 500 Anos Hoje, a partir das 23 horas, na Estação Plaza Show (Avenida Sete de Setembro, 2.775), em Curitiba. Animação e show por conta do pessoal da escola de samba da Mangueira (Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira). Ingressos: R$ 10,00.





