Festa para o beato
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de junho de 1997
Danielle Brito Especial para Folha Turismo 
Religiosidade, praias, montanhas, culinária, parque ecológico. Os aspectos do turismo da cidade de Anchieta no estado do Espírito Santo, 79 km ao sul da capital Vitória, são tão variados quanto atrativos. Fundada em 1565 pelo padre jesuíta José de Anchieta, a vila de Reritiba (em tupi lugar de muitas conchas) nasceu de um aldeamento indígena catequizado pelos padres da Companhia de Jesus. A cidade ainda chamou-se Benevente - nome que se refere a um rio que corta a cidade e deságua no mar -, antes de rebatizada Anchieta, em homenagem ao fundador que viveu os seus últimos dias no local e faleceu em junho de 1597. O quarto centenário da morte do padre Anchieta, comemorado no dia 9 de junho, está sendo festejado há quase um ano pela comunidade local. A passagem do jesuíta é parte da cultura da região e faz com que a cidade de Anchieta respire ainda hoje um clima de religiosidade e de história colonial. O maior referencial histórico do município é a Igreja Nossa Senhora da Assunção construída no século 16 por Anchieta e que passa atualmente por um processo de restauração.
A cidade de Anchieta é recortada por belas praias, algumas ainda virgens. Não fosse por esse fato poderia ser uma pacata cidade do interior com suas ruas estreitas e casarios antigos. A população de quase 15 mil habitantes se multiplica em época de temporada. O balneário mais frequentado pelos veranistas de Anchieta é o de Iriri, que em tupi quer dizer ostras. De pequena vila de pescadores como era a poucos anos, Iriri oferece atualmente uma boa estrutura hoteleira e comercial. Mesmo com o rápido crescimento urbano, o balneário tem praias límpidas de areias monazídicas, muito comuns nas praias do Estado e usadas em tratamentos medicinais devido a ideal concentração de radioatividade.
Tartarugas e marlins Ao norte de Anchieta localiza-se o balneário de Ubu um povoado de pescadores e rendeiras com praias pouco exploradas. Ubu reserva ao turista tranquilidade dentro de uma paisagem bucólica e encantadora. Segundo a lenda indígena, depois de morto, o corpo do padre José de Anchieta teria caído ao ser conduzido pelos índios para ser enterrado em Vitória. O nome da localidade vem da reação dos gentis que teriam exclamado: ubu!, ou seja, caiu.
Ainda no município de Anchieta, o visitante pode vislumbrar um belo e raro espetáculo da natureza: as tartarugas do mar. As fêmeas da espécie caretta procuram a praia da Guanabara em Anchieta no mês de janeiro para desovar. O fenômeno é acompanhado pelos técnicos do projeto TAMAR do Ibama que monitora a reprodução das tartarugas marítimas nos locais da costa brasileira que a espécie procura para pôr os ovos.
O mar que banha Anchieta também brinda os adeptos da pesca. Há seis anos em Inhúma foi pescado o maior marlim do Atlântico Sul com 946 quilos e seis metros de comprimento. História de pescador ou não, o recorde animou dezenas de expedições que chegam anualmente para a pesca oceânica. Outras 19 praias tornam o litoral de Anchieta diversificado com áreas de mar agitado para esportes, outras com água morna e calma e praias selvagens para quem tem disposição e espírito de aventura.


