Festa Nordestina nos arcos do Museu de Arte de Londrina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Nordestino é feito de saudade, uma seca por dentro, que faz brotar repentes, cordéis e músicas, inundação de cultura popular que tomará conta da 13 Festa Nordestina, que será realizada de 4 a 7 de setembro, nos arcos do Museu de Arte de Londrina (MAL).
Colonizada por 30 etnias, a cidade passou a valorizar o pioneirismo dos nordestinos com a festa que, na edição 2008, deve reunir um público de cerca de 30 mil pessoas. O evento conta com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
''Na região norte-paranaense tem pelo menos 15 mil nordestinos e descendentes. A Festa Nordestina, eu tinha pensado em criar desde 1986, mas somente consegui realizar em 1996. Na época, tinha muito preconceito contra os nordestinos. Hoje, a coisa é bem melhor. O preconceito existe porque falta conhecimento. A cultura nordestina é muito alegre e, através dela, o preconceito vem sendo quebrado'', comenta o organizador do evento, Raimundo Maia Campos Júnior, o Ceará.
Além de uma programação de shows musicais, apresentação de teatro, roda de capoeira e exposição, a festa oferece quatro oficinas. As inscrições terminam dia 29, no Museu de Arte de Londrina. Com exceção da Oficina Bumba-Boi, ministrada de 2 a 3 de setembro pelo músico Tião Carvalho, que terá uma taxa de R$ 20, os demais workshops serão gratuitos.
A rendeira de Fortaleza (CE), Gracimar Dantas, vai ensinar renda de bilros do dia 1º até 4 de setembro. A arte chegou ao Brasil com as mulheres portuguesas. Também de 1º a 4 de setembro será realizada a Oficina de Cerâmica, com Vitalino Neto, herdeiro da tradição de Mestre Vitalino, mundialmente conhecido por retratar em bonecos de barro a cultura e o folclore nordestinos.
O artista que consegue se multiplicar em poeta, artista plástico, arte-educador, ator, compositor, contador de histórias e mestre em teatro de mamulengo, Valdeck de Garanhuns, estará à frente da Oficina de Xilogravura, que acontece de 1º a 4 de setembro.
Ceará lembra que a Festa Nordestina é para matar saudade até dos que apreciam a cultura e nunca pisaram na terra de Luiz Gonzaga e de tantos outros nordestinos.
No dia 3, às 20h, antecipando o início da festa, será aberta a Exposição de Carrancas do Vale do São Francisco, curadoria Valdeck de Garanhuns. Barracas de comida típica artesanatos, cordel e CDs de músicas nordestinas são grandes atrações do evento.
A abertura da programação de shows dia 4, às 17h30, vai ser com um cortejo de bumba-meu-boi até o Calçadão, com os participantes da oficina de Tião Carvalho. Na sequência, repentistas darão o seu recado.
Por volta das 19h, a Banda de Músicos de Londrina participa da abertura oficial. Em seguida, show com Tião Carvalho e, às 21h30, apresentação com Chiquinho do Maranhão.
No dia 5, às 18h30, show com repentistas. Às 19h, a banda Pé de Pano sobe ao palco, abrindo espaço para a apresentação de Chiquinho do Maranhão. A festa começa mais cedo dia 6, ao meio-dia. Às 17h30 tem roda de capoeira Angola. Depois, Valdeck de Garanhuns apresenta um espetáculo de mamulengo. As atrações continuam com show de André e Mariana e Banda Asa Luís do Baião. A noite termina numa apresentação de Chiquinho do Maranhão.
O último dia da festa, 7 de setembro, também começa ao meio-dia. Às 17h tem roda de capoeira. Às 18h, o grupo de teatro Alicerce apresenta a peça ''Morte e Vida Severina''. Na sequência, show com a banda Arroz com Pequi e para fechar a noite mais uma apresentação de Chiquinho do Maranhão. ''Todos os dias, a entrada é franca. É um evento popular e queremos que todas as pessoas possam participar. Por isso, não cobramos ingressos'', afirma Ceará.
SERVIÇO
- Inscrições para as oficinas da 13 Festa Nordestina até dia 29 de agosto com Mariane Aranda ou Eliane Ferrari pelos tel. (43) 3337-6238 ou 3340-3977. Somente para a Oficina Bumba-Boi será cobrada uma taxa de R$ 20.


