Festa literária expande horizontes
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segunda-feira, 30 de julho de 2018
Guilherme Sobota, Maria Fernanda Rodrigues e Ubiratan Brasil<br>Agência Estado 
Enquanto o ministro do STF Luís Roberto Barroso era seguido por "fãs" e discutia numa mesa um tema espinhoso e urgente como a judicialização da política, do outro lado do centro histórico de Paraty um grupo de jovens subia num barco ancorado para debater literatura, mercado editorial e também outros temas políticos. A 16ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) terminou neste domingo (29), com a cara mais diversa da Festa nos últimos anos.
Avaliada como "extremamente positiva" pela produção da Flip, a parceria com as casas colaborativas de editoras, veículos de comunicação e entidades floresceu e trouxe mais gente para a cidade. Ainda não há um número fechado, mas a ocupação das ruas era visivelmente maior do que em 2017.
As mudanças têm o dedo da curadora Joselia Aguiar que, desde o ano passado, trouxe a preocupação de expandir os horizontes da Flip, levando mais autores mulheres e negros para a programação principal, mas também oferecendo espaço para editoras pequenas.
"Em 2017, os autores estavam na programação para falar de vários assuntos, não só disso, mas era o que sempre aparecia nas notícias. Como este ano a homenageada era Hilda Hilst, que trata de temas como amor, morte, Deus, as pessoas mudaram a chave", comentou. Para ela, essa face da Flip se estabilizou. "Vai ser assim sempre", disse. A organização não confirmou se a jornalista continua no comando.
Entre as novidades prometidas para 2019, um aplicativo e um painel de LED a ser instalado na Praça da Matriz com a programação de todas as casas parceiras - como os espaços atuam de maneira independente, é difícil acompanhar a lista de eventos ou mesmo produzir material impresso com antecedência. Segundo a produção, 90% dos assentos da Tenda do Autores foram ocupados, com 6.820 pessoas passando ali até o sábado.
O clima entre as editoras independentes era de missão cumprida com sucesso. "Tivemos a Casa Libre e Nuvem de Livros cheia todo o tempo, ápice na homenagem a Marielle Franco", diz a editora Raquel Menezes, presidente da Liga Brasileira de Editoras. "Mais de cem pessoas estavam do lado de fora para ouvir Conceição Evaristo." Para ela, a Flip 2018 confirma que a Flip 2019 será palco para as independentes.


