''Os Mutantes - Caminhos do Coração'' parece ter engrenado de vez. A novela, continuação de ''Caminhos do Coração'', abraçou de vez o tema bizarro da mutação, resultando em um produto quase conceitual. Aparentemente, o autor Tiago Santiago resolveu deixar um pouco de lado os tais ''caminhos do coração'' e apostar as fichas nos mutantes. Estratégia inteligente, visto que as tramas de amor da primeira fase nunca foram o grande atrativo da novela.
O texto, na maioria das vezes, deixou de ser explicativo, o que também ajudou a dar um ar mais interessante ao folhetim. No entanto, alguns pontos fracos ainda insistem em permanecer. É o caso da baixa complexidade ideológica da história, que quase sempre se limita a um maniqueísmo extremista. Palavras como ''do bem'' e ''do mal'' são usadas incessantemente para taxar personagem e grupos. Pior do que isso, só as citações bizarras ao ''poder do amor'', que chegam a ser constrangedoras. Ainda que a história se baseie no confronto entre seres superpoderosos, os rótulos de bom e mau não são inevitáveis, como já foi mostrado nas obras semelhantes ''X-Men'' e ''Heroes'', em que os personagens têm desenhos mais complexos e não se limitam a serem puramente ''yin'' ou ''yang''.
Um dos maiores atrativos da novela é a abertura, que mostra o rumo que a história tomou: muita ação, efeitos especiais e adrenalina, embalados pela música ''Planeta Sonho'', da banda 14 Bis. De muito bom gosto e bem produzida - exceto pelo nome errado da atriz Liliana Castro, que aparecia como ''Liliane Castro'' até alguns capítulos atrás -, a abertura mostra pessoas em atividades cotidianas, quando, discretamente, alguma coisa estranha acontece.
A melhoria na qualidade da obra é visível desde a abertura, até a interpretação dos atores. Alguns, pouco experientes em tevê, melhoraram consideravelmente o seu desempenho. É o caso de Julianne Trevisol, que está inebriante na pele da arquivilã Gór. A personagem é uma megalomaníaca que tem o pouco original objetivo ''vilanístico'' de dominar o mundo. A atriz consegue convencer com seu estilo bruxa de história infantil. Sacha Bali também está divertido com seu Metamorfo, que faz o papel de vilão engraçadinho do time.
O elenco conta, ainda, com atores experientes que ajudam a manter a qualidade do folhetim. É o caso de Patrycia Travassos, que interpreta a histriônica Irma, protagonizando cenas cômicas com o também bom ator André di Biase, que dá vida a Aristóteles. Babi Xavier, que tem a difícil missão de dar continuidade ao papel de Ítala Nandi, o de Doutora Júlia, se sai bem como a versão rejuvenescida da cientista.
A fotografia da novela lembra um pouco as histórias em quadrinhos. Luzes de cor azul royal e rosa-pink estão sempre embelezando os cenários, que também são bem mais interessantes do que os da primeira fase da trama. Os efeitos de câmara dão um ar cinematográfico à obra. No entanto, alguns são excessivamente usados, chegando a cansar o telespectador. É o caso das longas tomadas em câmara lenta e dos cortes bruscos de aparência expressionista.
Um fato interessante em ''Os Mutantes'' é que há ''cast'' suficiente para produzir um desfile de moda. Praticamente todo o elenco é formado por atores e atrizes extremamente bonitos. Grupo encabeçado pela ex-Miss Brasil Natália Guimarães, que interpreta Ariadne, a mulher-aranha. Tanta beleza na trama certamente ajuda a segurar a média de 17 pontos de audiência, com 18 de pico e 24% de share. É o poder da mutação aliado ao bom e velho poder da sedução.

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