São Paulo, 29 (AE) - A entrega dos prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, a APCA, aos destaques de 1999 consagrou o talento de Lobão a Débora Duarte, passando pelo flautista João Dias Carrasqueira. Mas os momentos mais divertidos ficaram por conta dos cariocas, que brincaram com a "amizade" entre os Estados e ressaltaram o orgulho de ser reconhecidos pela crítica paulista. A festa foi ontem (28), no Municipal, em São Paulo.
Depois da performance da Cia. Nova Dança, também premiada, os apresentadores Rogério Cardoso e Lu Grimaldi abriram a noite de premiações, patrocinada pela SCI/Equifax. A primeira a discursar sobre sua alegria em passar pelo crivo da crítica paulista foi Fernanda Torres, por sua atuação no filme O Primeiro Dia. Logo em seguida, "Santo Forte, de Eduardo Coutinho, recebeu o prêmio de melhor filme. Carlos Reichenbach foi o melhor diretor por Dois Córregos. "É especial para mim porque, há 26 anos, recebi da APCA o primeiro prêmio da minha vida."
Luís Carlos Vasconcelos recebeu o prêmio de melhor ator e, mais tarde, representou o amigo Matheus Nachtergaele, melhor ator de TV por "Auto da Compadecida, que recebeu o grande prêmio da crítica
Numa noite bem-humorada, não poderiam faltar os tradicionais protestos contra a falta de apoio. Os representantes da música erudita comentaram a perda de espaço na cobertura da imprensa. "Me sinto o patinho feio porque se esquecem de nós; sei que o povo brasileiro gosta de música clássica ", disse Sérgio Corrêa ao receber o prêmio de melhor obra sinfônica. Os integrantes da Cia. Nova Dança, alegaram que, se a música erudita perde espaço, a dança nunca o teve e pediram mais apoio. O agradecimento de Sandro Borelli, melhor bailarino intérprete pela atuação em Bent, O Canto Preso, descontraiu a platéia ao dedicar o prêmio a "todas as bichas paulistas".
Lenine, melhor cantor por Na Pressão", dedicou o prêmio a Tim Maia, Chico Buarque e Jackson do Pandeiro, entre outros, "os vários pais do CD". Lobão foi responsável pelo momento mais caloroso da festa e foi muito aplaudido. Vestindo camiseta do Universo Paralelo, a personalidade do ano defendeu as rádios livres e a diversidade cultural.
Mônica Salmaso, melhor cantora de 1999, voltou ao palco logo após receber o prêmio para cantar Ave Maria do Morro" e outras canções e emocionar a platéia. E não poderia faltar um puxão de orelha à falta de política cultural do governo. Eduardo Tolentino de Araújo, que recebeu o prêmio pelo grupo TAPA pelo espetáculo Navalha na Carne, aproveitou a deixa: "Não há incentivo cultural no Brasil; nosso pensamento vale exatos 0,27%
que é a quantia que o Ministério da Cultura dispensa a projetos culturais."
Antônio Fagundes, melhor ator por "Últimas Luas, também deu seu recado: "Sou mais um carioca e aproveitem para ver a peça, que ainda está em cartaz." Logo depois, foi a vez de Suely Franco. "Também sou do Rio e estou muito feliz por receber um prêmio em São Paulo", disse a melhor atriz por "Somos Irmãs, peça que também rendeu a Sandra Lousada o prêmio de melhor autora.
Na categoria rádio, a Eldorado AM ganhou o prêmio pela melhor programação jornalística.
Se Décio de Almeida Prado foi o homenageado pelo teatro adulto, o teatro infantil não esqueceu de Monteiro Lobato, " o grande inspirador" dos responsáveis pelo melhor espetáculo, "O Terror dos Mares. Eduardo Silva, melhor ator por Foi Ela que Começou, Foi Ele que Começou", lamentou o pouco tempo que as peças geralmente ficam em cartaz e foi o único a reclamar dos celulares que insistiram em tocar durante toda a noite.
Na televisão, "Terra Nostra foi o melhor programa. Lu Grimaldi recebeu o prêmio de revelação e observou: "Depois de 27 anos de teatro, fico feliz em receber justamente o prêmio de revelação na televisão." Débora Duarte dedicou o prêmio de melhor atriz ao bom texto de Benedito Ruy Barbosa. Cazé fechou a noite ao receber o prêmio de melhor apresentador. Após rápido discurso de agradecimento fez uma saída "rocambolesca", em uma nuvem de fumaça, como definiu Rogério Cardoso.

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