Item básico para todo aquele que vive ou está de passagem por Munique, a cerveja é o tema da mais conhecida festa da cidade, que termina no próximo dia 6.
Tudo começou no casamento do príncipe Ludwig I (que depois se tornaria rei) com a princesa Theresa de Hildburghausen, em 17 de outubro de 1810. O povo celebrou com tanto empenho a ocasião que Ludwig determinou, como forma de agradecimento, que esse se tornasse um evento anual. Um dado curioso, porém, merece destaque: conta-se que na primeira versão do festejo nem uma só gota de cerveja foi servida.
O local escolhido para o matrimônio Theresienwiese, ''prado de Theresa'', um parque de 60 hectares também serviu de palco para a homenagem popular aos futuros soberanos. Essa campina até hoje sedia o evento.
Na abertura, há um desfile dos cervejeiros até o local. Montados em cavalos, eles são seguidos por suas famílias, carroças de flores, grupos musicais e as emblemáticas garçonetes. Só essa carreata atrai quase mil pessoas.
Quem dá o grito de ordem para que se comece a festejar é o prefeito de Munique, com a frase ''O'zapft is!'' (Está aberto!), quando é tomado o primeiro barril de cerveja. A partir daí, durante 16 dias, cerca de 6 milhões de litros da bebida são consumidos por aproximadamente 6 milhões de pessoas; logo, uma média de 1 litro para cada uma. Pode parecer muito, mas não é nada se comparado ao volume bebido pelos bávaros: cada habitante consome cerca de 240 litros de cerveja por ano.
A Oktoberfest não vive só de bebida. Há espaço para outras especialidades alemãs, como a salsicha. Nessa época, são vendidas mais de 650 mil unidades.
Mas a grande tiete é mesmo a famosa bebida da Baviera. Seis das mais tradicionais fábricas de Munique montam suas cervejarias em tendas gigantes. A maior delas, a Hofbrouhaus (HB), tem capacidade para acomodar 10 mil foliões sentados. Com 411 anos de existência, a marca é consagrada entre os amantes da cerveja. Fora da festa, os turistas podem visitar a Staatliches Hofbrouhaus, que quer dizer ''cervejaria da corte''. Trata-se do bar e restaurante onde se bebe HB. Na capital bávara, cada estabelecimento só serve uma marca.
Com o passar dos anos, a Oktoberfest ganhou novos atrativos como o parque de diversão montado na área da festa até que tomou seu formato atual. O que permanece do estilo original são os trajes típicos da Baviera. Bermudão de couro preso por suspensórios, chapéu e adornos criativos são obrigatórios para os homens. Já as mulheres usam variações de vestidos rodados, coloridos e cheios de babados.
No entanto, a atenção do público se volta mesmo para as garçonetes. Elas disputam a capacidade de carregar os canecos de cerveja de 1 litro sem derramar nenhum gole. Algumas delas carregam até dez de uma vez.
No primeiro domingo, desfilam grupos regionais vestindo uniformes da Alemanha, Escandinávia, Polônia, República Checa e Suíça. São 8 mil participantes, sem contar 2 mil músicos e 60 carruagens totalmente ornamentadas. Diante do lugar, a imponente estátua da Baviera se faz presente com seus 18 metros de altura, mais o pedestal de 12 m. Por fim, quem tiver fôlego (e coordenação depois de tanta cerveja), pode subir suas escadarias internas. A vista panorâmica compensa o esforço.
A história, porém, marcou de forma trágica a festa alemã. Foi suspensa por 24 vezes, devido a epidemias ou em consequência das guerras. Assim, esta será a 169 edição da Oktoberfest, que sempre começa no penúltimo sábado de setembro, ao meio-dia. O sucesso do evento, indiscutível, é atestado ainda pelo fato de que em todo o mundo existem 3 mil festejos similares, o que inclui as comemorações brasileiras, em Santa Catarina. Cópias à parte, a meca da cerveja sempre será Munique.

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