Festa continua em Olinda e Recife
DivulgaçãoCarnaval de rua em Pernambuco é festa popular que atrai milhares de turistasUm encontro de 70 bonecos gigantes em Olinda e uma festa reunindo, pela primeira vez, maracatus de baque virado (nação) e maracatus de baque solto (rurais) no Recife marcaram o carnaval deste ano em Pernambuco.
Os bonecos saíram no início da tarde de terça-feira, em fila indiana, com seus risos largos e enormes braços balançando ao som do frevo. Frevo tocado por músicos locais e também pela Orquestra de Frevo de Edimburgo, Escócia, com 25 integrantes e que incluiu o fole entre os instrumentos tradicionais. Antes dos bonecos começarem o desfile foi feito o casamento entre dois deles - a Rainha Rosa e o Mascote Escocês, trazido pelos músicos de Edimburgo.
A brincadeira foi acompanhada por uma multidão que se espremia nas ladeiras estreitas da cidade mas não contou com a presença dos bonecos mais famosos de Olinda, o Homem da Meia-Noite e a Mulher do Meio-Dia. O Homem da Meia-Noite foi o primeiro boneco do carnaval olindense, criado em 1932. O bonequeiro Silvio Botelho - responsável pela execução da maioria dos bonecos - não conseguiu terminar a tempo o boneco em homenagem ao líder do Movimento Manguebeat, Chico Science, mas garantiu que ele vai estar nas ruas no próximo carnaval.
MaracatusNo Bairro Antigo do Recife, o Maracatu Nação Pernambuco comandou um encontro inédito entre oito maracatus de baque virado e seis de baque solto, juntando cerca de mil maracatuzeiros na Avenida Marquês de Olinda. Depois do desfile e evoluções de cada uma das agremiações, o Nação Pernambuco fez um show cantando loas e exibindo as danças dos dois tipos de maracatu.
Os maracatus de baque virado e de baque solto são completamente diferentes, no ritmo, na dança, nas características, na formação. Os de baque virado nasceram nas senzalas, com os escravos africanos, no século 17. Os de baque virado - que têm o caboclo de lança - apareceram no final do século passado, na Zona da Mata, e são um sincretismo de várias manifestações populares.
Quem mais lucrou com o encontro foi o folião, que pode se deliciar com a beleza visual dos maracatus rurais e dançar a valer ao som forte dos tambores do maracatu nação.
A festa continuou pela madrugada nas duas cidades e só termina no próximo domingo, com a saída da troça Palhaço Arco-íris, em Olinda, e do Camburão, um bloco criado pela Polícia Militar, que desfila com quatro trios elétricos na Avenida Boa Viagem, no Recife.
Ontem 11 troças ganharam as ruas de Olinda. A mais famosa, o Bacalhau do Batata, sai do Alto da Sé, pela manhã, depois de distribuir batida de coco e maracujá com os foliões. Na quinta-feira é a vez do Urso Maluco Beleza, de Alceu Valença.





