FERRAMENTA PEDAGÓGICA - Vamos jogar xadrez?
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Ana Paula Nascimento <br> Reportagem Local 
O matemático Albert Einstein era um exímio jogador de xadrez e não por acaso essa modalidade esportiva está associada à lógica e à rapidez de raciocínio. Com infinitas possibilidades de jogadas, suas combinações ''matemáticas'' são comparadas ao número de átomos. ''É um mundo fabuloso'', comenta o professor de Educação Física Junior Cesar Dias de Jesus, que há dois meses está desenvolvendo um projeto de ensino de xadrez com alunos dos ensinos fundamentais 1 e 2 da Escola Educativa, de Londrina.
A inspiração para a prática esportiva como complemento curricular surgiu meio ao acaso. Devido à reforma da quadra esportiva da escola, o xadrez passou a ser uma alternativa eficiente para aprimorar o conteúdo dos alunos, estimular alguns aspectos da aprendizagem - como raciocínio e concentração - e também proporcionar uma atividade em que não fosse necessário ocupar grandes espaços físicos. ''Foi um jeito também deles ficarem mais centrados; até porque, pelo trânsito de funcionários e materiais da obra, eles não poderiam ficar correndo pelo pátio'', explica Jesus.
E o projeto superou as expectativas. Dos alunos do primeiro ao nono ano (antiga oitava série), a prática esportiva virou mania na escola. Além de jogar xadrez nas aulas de Educação Física, os estudantes também passaram a aproveitar o horário do recreio para aprimorar as suas jogadas. No refeitório, no gramado, na biblioteca ou nos bancos do pátio, qualquer lugar passou a ser perfeito para tentar mais um xeque-mate.
Para os alunos menores, um tabuleiro gigante - feito de lona - foi disponibilizado para facilitar a aprendizagem. Jogado em grupos, cada um dos alunos se reveza para desenvolver a melhor estratégia. Em cada escolha acertada a torcida é grande e as crianças vibram, aos gritos. ''Jogar dessa forma para eles é muito interessante pois, além de testarem o próprio conhecimento, quando não estão na vez de jogar podem ter uma visão mais geral do jogo'', considera o professor, que aprendeu a jogar xadrez aos 7 anos, com um tio. Já na graduação, ele lembra que o jogo foi abordado dentro da disciplina de esportes complementares.
No âmbito do desenvolvimento metodológico, o projeto de xadrez contemplou aulas expositivas sobre a importância do jogo no desenvolvimento cognitivo do aluno, breve histórico, leitura de texto sobre instruções básicas, jogos pré-desportivos referentes às regras do xadrez, prática sobre movimentos e captura das peças, regras éticas, registros de posição e como anotar, aperfeiçoamento das jogadas, estudos de partidas, exercícios de xeque, xeque-mate, entre outros, além de criação de blogs (6 série/7º ano, 7 série/8º ano e 8 série/9º ano) para o ensino de xadrez.
O projeto ainda destaca o potencial do xadrez em estimular no aluno a capacidade de tomar decisões que necessariamente devem ter passado por um processo de reflexão e dedução - já que no xadrez é preciso avaliar as possibilidades de jogadas do oponente. Dentro desse objetivo, é fundamental levar em consideração as seguintes habilidades: a atenção e a concentração; o julgamento e o planejamento; a imaginação e a antecipação; a memória; a vontade de vencer, a paciência e o autocontrole; o espírito de decisão e a coragem; a criatividade e a inteligência.
O professor também avalia que a aprendizagem da notação algébrica das jogadas também é interessante para os alunos. ''Conhecendo as notações, é possível reproduzir jogadas que ficaram famosas'', comenta Jesus. ''É como jogar Batalha Naval no tabuleiro. Com a combinação de letras e números posso até reproduzir uma jogada antiga'', acrescenta o aluno Felipe Almeida Pieralice Sambatti, 12 anos. Sua colega Maria Eduarda Lopes Zequim, 11 anos, também aprovou a iniciativa: ''Eu já tinha ouvido falar de xadrez, mas não conhecia. Agora já estou entendendo mais''.
Como a reforma está em fase de conclusão e as aulas de Educação Física retomarão a sua rotina, a proposta agora é que o xadrez se torne um componente curricular permanente, o que está sendo avaliado pela direção da instituição. Uma escolinha de xadrez como atividade extracurricular também está entre os planos.


