Um discurso de libertação a uma realidade asfixiante – o artista plástico José Antônio de Lima faz uma reflexão sobre o momento histórico deste final de século, e a necessidade premente de novos caminhos na exposição que abre hoje, às 20 horas, na Galeria Fraletti e Rubbo. A discussão passa metaforicamente por cerca de 40 trabalhos, entre objetos e telas, e no título é que ela se torna explícita: ‘‘Ferramentas e Armas’’.
Estes são elementos complementares um ao outro: enquanto as ferramentas lembram a labuta diária, as armas remetem à luta. Ambas mais que necessárias neste momento da história onde o homem situa-se no meio de uma revolução tecnológica. Ou tem-se um pulso firme para direcionar horizontes mais tranquilos, ou caminha-se para o caos. ‘‘É preciso haver uma ação aguerrida para mudar a realidade atual’’, diz o artista.
‘‘Entendo que neste momento as coisas não vão muito bem, há uma massificação brutal de tudo’’, comenta. Como as ‘‘lideranças, instituições e meios de comunicação estão comprometidos com um sistema de mercado voltado para a reprodução constante de benefícios próprios e finalísticos entre si mesmos’’, uma forma de mudança seria a utilização de ‘‘instrumentos simbólicos’’ e com eles dar início a uma luta ‘‘em busca de outras formas de vida, de educação, de informmação, etc.’’
A individual de José Antônio reúne desde pequenos objetos a telas que chegam a 2,60m x 1m, mantendo sempre a marca do autor – o uso de material reciclado. Ele próprio cuida da confecção dos papéis para suas obras, transformando-os em pasta e daí partindo para as esculturas.
Ferro, arame, tecidos, pó de ferro, pigmentos entram na composição e auxiliam na linguagem do mineiro de Sacramento, formado em Jornalismo pela UEL e que começou sua carreira expondo na I Mostra de Paisagem de Maringá e no 43º Salão Paranaense, ambos em 1986. Ciente de sua produção e daquilo que realmente almeja, o artista apenas observa o nervosismo da moda. Ele está fora da necessidade de pular de galho em galho para se equilibrar nas voláteis tendências.
‘‘Tenho uma ligação forte com o primitivo’’, comenta. Há anos suas peças traduzem um gosto pela memória, num trabalho que valoriza o rústico, mas há sempre a questão de valorização da nacionalidade. ‘‘Defendo uma arte nossa, não precisamos copiar os europeus’’, afirma.
•‘‘Ferramentas e Armas’’, de José Antônio de Lima. Abertura dia 20, às 20 horas, na Galeria de Arte Fraletti e Rubbo (Rua Comendador Araújo, 672). fone (41) 434-2223. Até 15 de julho.

mockup