Fernando Pessoa na peça 'O Marinheiro'
Chico NogueiraFernando Pessoa na
peça O Marinheiro
Elisa Marilia Carneiro
A angústia existencial e a negação do ser transbordam do inconsciente por intermédio dos sonhos. As almas se desvendam enquanto três personagens velam um caixão. A peça O Marinheiro, de Fernando Pessoa, com direção de Sandra Zugman é o cartaz da Casa Vermelha, em Curitiba, até o dia 23 de maio, de quarta-feira a domingo, sempre às 21 horas.
O Marinheiro é um espetáculo de um não-lugar, de um não-tempo, mais psíquico do que físico, São três vidas postas em suspenso por uma espera, sem esperanças, pelo amanhecer e pelo que ele posso trazer. As horas, entretanto, custam a passar e o passado se faz irreal, o futuro proibido e o presente impossível.
Através do relato de sonhos que tiveram um dia, ou ainda que imaginaram sonhar, as veladoras, permitem qua a imaginação alce vôo e dê lugar a um discurso dialético da vida e do sonho.
A montagem de O Marinheiro conta com grandes nomes das artes paranaenses. No elenco estão Carla Berri, Regina Vogue e Rosana Stavis. A iluminação é de Nadja Naira, a sonoplastia, de Flávio Stein e os adereços, de Cristine Conde.
Para falar de O Marinheiro é preciso inseri-lo no contexto do movimento literário proposto pelo próprio autor, em 1913, denominado Pauismo (pauis é o plural de paul, que significa pântano). Tanto nos poemas desta fase como em O Marinheiro tem-se a impressão de pautinar nos pântanos do ser, em vez de lançar-se para a verdadeira vida.
O Marinheiro, em cartaz na Casa Vermelha, até o dia 23 de maio, de quarta-feira a domingo, sempre as 21 horas. Ingressos a R$ 5,00. Informações: 225-3503.





