Fernando na pessoa de Caeiro
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terça-feira, 20 de maio de 2003
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
Por que, dentre os diversos heterônimos criados, Fernando Pessoa foi escolher como mestre o bucólico Alberto Caeiro? De onde vêm instigantes reflexões desse homem simples a quem tanto reverenciava o iluminado Pessoa? Indagações como essas impulsionaram a Companhia Azul Celeste, de São José do Rio Preto (interior paulista), a montar ''Orpheu - O Guardador de Rebanhos'', que levou nove meses para ser concebido. O espetáculo será apresentado hoje e amanhã, às 21 horas, no espaço Alternativo/Casa de Cultura, como atração do Filo 2003. ''Ele (Alberto Caeiro) é o poeta das sensações, que diminui as palavras em benefício da essência'', diz Jorge Vermelho que, além de dividir a direção com Wander Ferreira Júnior, também atua no espetáculo. A entrevista foi concedida por telefone à Folha2. Completam o elenco, Rafael de Aquino e Marcelo Matos.
''Orpheu - O Guardador de Rebanhos'' mostra um possível diálogo entre criador e criatura. Ou seja, entre Fernando Pessoa e Alberto Caeiros. Densas metáforas, versos e encenação intensos. O texto obviamente tem como base as poesias de Alberto Caeiro, mas abre-se a pequenos fragmentos de outros heterônimos de Fernando Pessoa como Álvaro de Campos e Ricardo Reis, além de leves enxertos de Shakespeare e do escritor italiano Antonio Tabucchi. O espetáculo tem exatos 60 minutos de duração.
De acordo com Jorge Vermelho, a idéia inicial era vasculhar a vida e obra de Fernando Pessoa. Isso há coisa de três anos. Os integrantes da Companhia Azul Celeste, no decorrer da pesquisa, acabaram por se render à densidade poética de Alberto Caeiro. O surgimento desse poeta pode assim ser descrito em breves palavras: ''nascido'' em 1885, Caeiro teve apenas instrução primária, mas apto a reflexões profundas sobre a natureza e espírito e que ''morreu'' em 1915.
Desde a estréia, em São José do Rio Preto, ''Orpheu - o Guardador de Rebanhos'' já foi apresentado em várias cidades brasileiras o que totalizam cerca de 150 apresentações. A companhia aguarda o retorno de contatos para poder levar, ainda neste ano, o espetáculo para Cuba e Portugal.


