Fernando de Noronha, o Caribe brasileiro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de outubro de 2003
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Fernando de Noronha, arquipélago com 17,5 quilômetros quadrados a 545 quilômetros da costa pernambucana, a primeira Capitania Hereditária do Brasil, está com 500 anos. Graças ao cuidado que a terra e o mar recebem por meio de uma salgada taxa de preservação ambiental, Noronha está intacto.
Um clima agradável: 28 graus na terra e 26 no mar com 3.215 horas de sol por ano. O sol aparece às 5 horas e vai embora às 17h30. Um povo apaixonado pela sua terra, receptivo e cuidadoso. Tudo isso e mais a cor do mar, o cheiro da terra, a música diferente de outras cidades do Nordeste lá se pode ouvir num barzinho à beira mar músicas como Marisa Monte e Macy Gray fazem de Noronha um dos lugares mais ''cool'' para se ir no Brasil.
Como tudo é muito caro, a elite brasileira descobriu a ilha. Só que essa camada não é deslumbrada com badalações. Contenta-se com o Forró do Cachorro durante as noites e com as praias e mergulhos durante o dia. À exceção de Luciano Huck que abriu uma luxuosa pousada chamada Maravilha, em sociedade com João Paulo Diniz, e que frequentemente desembarca em um jatinho particular com modelos à tiracolo, todos os poderosos visitantes da ilha passam desapercebidos.
É gente que achou o local e quer preservá-lo do jeito que está. Além dos valores pagos para permanência, Noronha também tem preços salgados para tudo que é consumido lá. Tanto que ganhou uma moeda imaginária chamada Noronha. Tudo custa o dobro. Se você vai comprar uma cerveja vai pagar, no mínimo, dois ''noronhas'' ou seja R$ 2,00. Esses valores não chegam a irritar e nem perturbar a curtição da ilha. Afinal quem vai já sabe que está pagando pela limpeza e preservação de tudo.
A natureza é tão rica que somente com uma máscara de mergulho e um pé-de-pato o visitante já pode passar um dia inesquecível mergulhando, por exemplo, numa praia onde naufragou um grande navio que hoje serve de casinha para uma infinidade de peixes coloridos.
Uma outra curtição é simplesmente entrar na água. A impressão que se tem é de estar dentro de um aquário. Para o velejador Edson Willy, o Crespo, 44 anos, um dos participantes da Refeno, regata que leva cem veleiros de Recife até Noronha, o lugar é a ''Polinésia Brasileira''. Crespo já deu a volta ao mundo em um veleiro e conhece bem o que é uma boa praia. Para ele, a cor do mar de Noronha o eleva à condição de ''Nosso Caribe''.
Mas Noronha é mais que isso. É um lugar onde a natureza estimula ao ''dolce far niente''. Ir para lá significa conectar-se com um sentimento de respeito que orgulha os brasileiros. Mergulhar com os golfinhos? Não pode. Os fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) controlam de perto os barcos que estão atracados para que fiquem longe dos mesmos. Se alguém for perto, a encrenca já se arma. Segundo eles, os bichos se estressam com os barcos. O melhor é admirá-los de longe. Os golfinhos rotatores estão por toda parte e de longe já é uma emoção vê-los. Para que chegar perto?
Noronha tem 16 praias e 21 ilhas, ilhotas e rochedos. Nem todas podem ser visitadas. Quando se chega é bom procurar informações para saber o que pode e o que não pode. Uma boa é, mesmo que você esteja de barco, alugar um bugue. Com diárias entre R$ 70 e R$ 100, os automóveis seguram bem o tranco das ladeiras do lugar e dá para visitar todas as praias, sem prejudicar a natureza.
Quem gosta de um pouco de sofisticação já encontra bons lugares para ficar e comer. O restaurante e pousada Zé Maria é o mais sofisticado dos nativos. Tem cardápio do chef curitibano Celso Freire, carta de vinhos, licores e charutos.
Além dessa opção existem várias outras mais simples, mas todas com comida de paladar honesto. Nada, porém é barato. Ir para Noronha significa pagar caro para ter acesso a um local que mostra porque os portugueses ficaram loucos quando descobriram o Brasil.
SERVIÇO
- Onde ficar
- Criado em 1990, o Sistema de Pousadas Domiciliares regulamentou a hospedagem no arquipélago. Houve uma adaptação das casas dos moradores e hoje há mais de cem opções de estadia que podem ser encontradas no site www.fernandodenoronha.com.br.
- A pousada Zé Maria, uma das mais sofisticadas da ilha, atende pedido de reservas em seu site www.pousadazemaria.com.br.
- Como chegar
A reportagem da Folha apurou o melhor preço para se chegar em Noronha. Varig - Non stop em Recife. Curitiba/Recife/Fernando de Noronha/Recife/Curitiba - R$ 2.318,00 + 14,55 de taxa de embarque.


