Fernanda Torres vive papel duplo em "Gêmeas"
Brasília, 28 (AE) - A melhor gratificação para o ego de uma atriz. É assim que Fernanda Torres define seu trabalho em "Gêmeas", longa-metragem baseado em conto de Nélson Rodrigues, e dirigido por Andrucha Waddington, seu marido. Ela interpreta dois papéis - quer dizer, em tese contracena consigo mesma, como as duas irmãs idênticas que, claro, se apaixonam pelo mesmo homem. "Eu fazia uma delas e em seguida a outra, contracenando com uma dublê", explica. Marilene é bióloga, Iara é costureira. Vivem fazendo brincadeiras com o fato de serem idênticas, até o dia em que aparece Osmar (Evandro Mesquita) na vida de uma delas. E a harmonia da identidade desaparece. "É um dos meus melhores trabalhos", acredita a atriz, que tem cerca de 20 filmes em seu currículo.
Fernanda esteve em Brasília com o filho, Joaquim, nascido há poucas semanas. Posar para os fotógrafos com o bebê, nem pensar. "Não faço o gênero desse tipo de atriz que está até parindo em capa de revista", explica. Ela acredita que deve manter a privacidade e, desde cedo, aprendeu a manter uma separação entre a sua vida profissional e pessoal: "Tenho pais famosos e ninguém é filha de Fernanda Montenegro e Fernando Torres impunemente", diz.
Mais ainda porque, como todo mundo sabe, Fernandinha, além de ótima atriz, é dona de personalidade forte e fez seu caminho particular na selva que é o show biz brasileiro. A carreira consolidada por uma premiação em Cannes por "Eu Sei que Vou Te Amar" leva a pensar que sua interpretação no filme de Arnaldo Jabor seja a sua favorita. Não é. "Aliás, como filme
ela gosta muito mais de "Tudo Bem" e "Toda Nudez Será Castigada", trabalhos de Jabor dos quais não participa.
Do seu currículo pessoal, ela adora a personagem que fez em Marvada Carne, de André Klotzel, a guerrilheira Maria de "O que É Isso, Companheiro?", de Bruno Barreto, além da dupla Iara e Marilene de "Gêmeas", é claro. "Maria, em particular, me revelou um lado duro dos anos 60 e 70 que é pouco comentado", diz. Segundo a atriz, é normal a idealização daquela época, do seu romantismo, da solidariedade, da vida em grupo. "A Maria mostra também outro aspecto; ela é uma sargentona da militância, mas acaba se envolvendo amorosamente com um dos guerrilheiros", analisa. Uma personagem com curva dramática, que começa de um jeito e termina de outro, como os que ela gosta.
Além do seu trabalho em cinema, a atriz está preparando nova peça, em parceria com Débora Bloch: "Duas Mulheres e um Cadáver", da autoria de Patrícia Melo. "Estamos ainda procurando um ator charmoso, que saiba interpretar um bom defunto e queira contracenar conosco", diz, rindo.





