Nada melhor do que a sensação de dever cumprido e a certeza de que as férias de julho poderão ser totalmente aproveitadas. Mas, para alguns alunos, as notas vermelhas do boletim são um sinal de alerta de que um esforço extra precisa ser feito para evitar o risco de reprovação no final do ano - mesmo que isso signifique perder uma semana de férias. De olho nesse quadro, muitas vezes dramático, as escolas investem em ações preventivas, como o apoio pedagógico de diversas disciplinas na própria escola, sem custo adicional para os pais.
No Colégio Londrinense, na semana passada, o clima já era de férias. Com o fechamento das notas do segundo bimestre, as duas últimas semanas de aula têm no contraturno competições esportivas entre classes e séries. Nas quadras de esporte da escola, vôlei, futsal, xadrez, bola queimada, tênis de mesa e atletismo são algumas das modalidades que divertem os alunos do ensinos fundamental e médio. As crianças da educação infantil também tiveram seu momento de recreação. Brinquedos infláveis foram montados no ginásio do colégio para a diversão da criançada e até tatuagens de brincadeira podiam ser feitas nos alunos.
Segundo Rosely Cardoso Montagnini, coordenadora de 5 à 8 série do Ensino Fundamental, essas ações recreativas são uma forma de estimular a vinda dos alunos à escola até o fechamento oficial do semestre. ''Como muitos já finalizaram as provas, acabam não querendo vir para a escola; querem antecipar as férias'', comentou.
Com relação ao trabalho de recuperação, Rosely explicou que são oferecidas aulas de apoio de matemática e português para os alunos do fundamental e médio, sendo que para os estudantes da 8 série, há também aulas de química e física. ''O aluno é convocado para o apoio pedagógico assim que o professor percebe que seu desempenho não é o ideal, mas o objetivo não é que ele apenas melhore para a próxima prova, mas tenha um novo interesse pelo assunto apresentado'', destacou.
Nas aulas de português, por exemplo, enfoca-se o trabalho de produção de texto, interpretação e leitura. ''O que acaba ajudando em todas as disciplinas, de forma geral, já que muitas vezes o aluno tem é dificuldade de entender o enunciado das questões'', disse a coordenadora. No caso da educação infantil, o apoio conta com o trabalho especializado de uma psicopedagoga. ''Fazemos um trabalho cuidadoso em que acompanhamos a maturidade neurológica e emocional das crianças de 1 à 4 série'', acrescentou.
Entre os problemas mais comuns na sala de aula, Rosely pontuou a conversa paralela, que leva à dispersão. ''A agitação da vida moderna também atrapalha na hora em que o aluno precisa se concentrar durante a aula. Esse trabalho de recuperação paralela tem surtido bons resultados e o índice de reprovação tem diminuído muito'', conclui.
Depois de participarem de uma partida de handebol, as amigas Isabela Farias Castro e Isabelle Giovanna Barioni, ambas de 11 anos, estavam empolgadas com as competições e tranquilas com as notas do boletim. ''No começo do ano tivemos algumas notas vermelhas, mas agora está tudo azul. Fazemos aulas de apoio de matemática e isso ajuda muito'', afirmaram. Isabelle fez questão de frisar o quanto a prática de esporte na escola é divertida. ''É muito legal. Aqui a gente se descontrai, aproveita mais o tempo e não fica em casa só em frente à televisão e ao computador.''
Já no Colégio Pontual, o desempenho ruim no segundo bimestre significa uma semana a menos nas férias de julho. Os alunos que não conseguiram atingir a média 7 são convocados a frequentar aulas e a fazer uma segunda prova na primeira semana de recesso escolar. A instituição também oferece recuperação paralela com aulas de apoio e há alunos que pedem para participar, mesmo estando com o boletim em ordem. É o caso de Ellen Regina Secco, 13 anos, que nunca ficou em recuperação, e participa das aulas de apoio de matemática, física e química. ''Minha mãe ficaria muito brava comigo se ficasse de recuperação e como castigo ficaria impedida de sair de casa e mexer no computador durante as férias'', observou.
No Colégio Nobel, a recuperação semestral, chamada de ''recuperação de inverno'', acontece na primeira semana depois das férias. Após o retorno das férias, o aluno tem a revisão de conteúdo na parte da tarde antes de fazer a prova das disciplinas em vermelho.
No Colégio Estadual Evaristo da Veiga, seguindo determinação da Secretaria Estadual de Educação, há recuperação paralela durante os bimestres, com aulas de apoio nas disciplinas de português e matemática duas vezes por semana. Após a recuperação, o aluno pode fazer outra prova e prevalece a maior nota.

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