Femucic já teve shows com bons nomes da MPB
Femucic já teve
shows com bons
nomes da MPB
Durante sua trajetória, a comissão organizadora do Femucic resolveu levar shows especiais como atração. O primeiro, em 85, foi Carlinhos Lyra, que lotou o Cine Horizonte. Em 86 o Festival foi para o Ginásio Chico Neto que tem capacidade para sete mil pessoas, que ficava lotado. A administradora Rosana Speeder, 30 anos, morava em Cianorte mas via tudo pela TV. Ela se lembra que morria de vontade de vir a Maringá para ver os artistas, mas como não podia viajar sozinha ficava sabendo os detalhes com conhecidos que vinham sempre. Era um grande acontecimento na região, e ainda hoje é um evento importante, diz Rosana.
Em 86, a primeira noite foi com a dupla Antonio Carlos e Jocafi, na segunda Eduardo Dusek e na terceira Toquinho. No ano seguinte, o pianista e arranjador César Camargo Mariano foi o presidente do júri. Neste ano foi gravado o primeiro disco do Femucic-87, com doze músicas, pela Som Livre. E os shows de MPB-4, Moraes Moreira e Tetê Espíndola lotaram o ginásio de novo.
Vieira e a equipe eram considerados atrevidos por assumirem um evento dessas proporções, naquela época. Era uma loucura, nós fazíamos tudo ousadamente, sem caixa, nem previsão orçamentária para cobrir estas despesas. Tudo apostando no público que nunca desapontou, conta emocionado, Antonio Vieira, diretor do SESC desde 1980.
Em 88, o Festival criou um ramo para música instrumental porque antes era só de MPB cantada. Os instrumentistas de Brasília apresentaram um trabalho de vanguarda, muito elogiado por Cida Moreyra e Belchior que fizeram os shows. Em 89 foi gravado o segundo disco do Festival, produção independente, que com apoio da mídia, teve até uma boa vendagem. Ainda no Chico Neto, em 89 o grupo Asas que já não existe mais foi o segundo maringaense a ganhar o festival, com a música Alma e Coração, de Selvo Brancalhão Jr.
Um antigo espectador do Femucic conta que aquela foi a primeira noite de glória para o grupo, e também a última. Depois de ganhar um piano da Fritz Dobert como primeiro colocado, os integrantes do Asas começaram a discutir sobre com quem ficaria o piano, se iriam vender, se ficava com o líder. Só sei que foi o fim do grupo, lembra Jorge Alcides Ramos, que tocava num grupo de Marialva.
Este ano também foi o penúltimo com grandes atrações, fechando com Ivan Lins, Alceu Valença e Lula Barbosa. No último ano vieram Lula Barbosa, Adriana Calcanhoto (antes de se tornar nacionalmente conhecida), Diana Pequeno e a Orquestra de Harmônicas de Curitiba.O público também já não era mais o mesmo. Só queria saber dos grandes astros e os amantes do festival foram perdendo espaço- lembra Vieira que decidiu então voltar às origens e valorizar os talentos desconhecidos do grande público. O Femucic mudou-se para o Cine Horizonte.
O terceiro disco foi gravado em 1990, quando pela terceira vez gente maringaense - a dupla de irmãos Moacir e Nicir - venceu o Festival com a música Balada para Ninar Gente Grande. O quarto disco, em 91 tinha as melhores canções do XIV Femucic. (C.A.A.)





