Se fosse outra, sua legião de admiradores faria passeatas de protestos. Mas a unanimidade em torno de Ava Gardner (1923-1990) era tanta que o diretor William A. Selter não titutebou em chamá-la para protagonizar um filme de título mais que apropriado: ''Venus, a Deusa do Amor''.
Foi um dos mais de 60 longas em que a atriz participou após trocar a vida bucólica numa fazenda do interior dos Estados Unidos pelo dia-a-dia agitado dos estúdios cinematográficos. Única mulher que acordava e não precisava se maquiar, de acordo com os entusiastas, Ava será lembrada amanhã na passagem dos 20 anos de sua morte.
Na TV paga, o canal TCM presta-lhe uma homenagem com a exibição de ''Assassinos'' (1946), obra que he deu um lugar definitivo entre as estrelas de Hollywood, e ''55 Dias em Pequim'' (1963), de Nicholas Ray, um diretor com uma sensibilidade especial para fazer brilhar as subestimadas virtudes artísticas da atriz.
É que no início, ela só fazia figuração ou pequenos papéis para os quais era escalada por causa de sua estonteante beleza. Na época, seu nome nem aparecia nos letreiros. O talento, em estado latente, só veio à tona quando teve a chance de trabalhar com diretores do naipe de George Cukor e John Ford. Com o primeiro, brilhou em ''A Encruzilhada dos Destinos''. Com o segundo, foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz por ''Mogambo''.
Dona de temperamento inflamável, Ava Gardner ganhou fama de irascível nos sets de filmagem. Celebrizou-se também pelas bebedeiras, o que não a impediu de atuar até a década de 70, embora com participações esporádicas. Quando esteve no Brasil, em 1954, foi manchete dos jornais ao aprontar das suas num hotel do Rio de Janeiro depois de atravessar uma tarde virando copos de martini.
No auge da forma, arrebatou corações de famosos. Até Jean Cocteau, notório homossexual, rendeu-se a seu magnetismo dirigindo-lhe um epíteto que rodou o planeta: ''O mais belo animal do mundo''. E há quem diga que a admiração de Glauber Rocha por ela foi responsável por levá-lo a batizar de Ava uma de sua filhas.
O escritor Ernest Hemingway foi outro que quase perdeu o juízo como anfitrião da beldade, recebendo-a em sua casa em Cuba, onde ela tomava banhos de piscina nua. Ava amargou três casamentos fracassados. Com o ator Mickey Rooney ficou um ano e alguns meses. Com o clarinetista Art Shaw, não passou de 1 ano. E finalmente com Frank Sinatra, viveu seis anos.
Quando pediu o divórcio, o cantor caiu em depressão. E quando ficou parcialmente paralítica, após sofrer um derrame cerebral em 1989, foi ele quem bancou todas as suas despesas médicas. Um ano depois, uma bronco-pneumonia derrubaria a atriz. Era 25 de janeiro. Seu corpo foi levado para o Estado da Carolina do Norte (EUA), onde hoje há um Museu em seu nome.

Serviço
- 55 Dias em Pequim - 15h
- Os Assassinos - 17h40
Onde - Canal TCM

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