Carlos Calado
Agência Folha
O cantor e compositor Gilberto Gil definiu bem o que se ouviu no encerramento do 1º Festival de Ilhabela. ‘‘Vocês sabem que eu gosto de tudo, mas esta música faz diferença’’, disse à platéia, referindo-se à obra de Egberto Gismonti, âncora dos concertos de sábado e domingo passados. A inusitada parceria entre o compositor carioca e o cancionista baiano, apenas esboçada em outros eventos recentes, ganhou mais consistência e duplo sentido. Se Gil acariciou uma sublime melodia de Gismonti (‘‘Palhaço’’, com letra de Bené Fonteles), o pianista retribuiu com uma explosiva versão improvisada do samba ‘‘Aquele Abraço’’. ‘‘Acho que vou montar a sinfonia que Gil vem fazendo há anos, mas talvez ele não saiba’’, disse Gismonti, após o show de sábado, sugerindo que a parceria pode render novos projetos.
Outra atração especial do concerto foi o bandoneonista argentino Dino Saluzzi, que se juntou aos músicos da Orquestra Philarmonia Brasileira (regida pelo maestro Gil Jardim), para tocar ‘‘Fala da Paixão’’ e ‘‘Sete Anéis’’, em vibrantes arranjos.
Pena que Gismonti tenha preferido conceder mais espaço a seus filhos Alexandre e Bianca, do que ao mestre do bandoneon. Apesar de demonstrarem talento, os dois garotos ainda são imaturos para um festival desse porte.
Solon Siminovich, produtor do evento, disse que o Festival de Ilhabela voltará mais extenso em 2001. Doze noites vão ocupar todos os finais de semana de fevereiro. O mesmo formato, com brasileiros convidando estrangeiros, será mantido. Nos planos do produtor para o elenco da próxima edição estão o pianista norte-americano Chick Corea, o guitarrista Pat Metheny e Branford
Marsalis, além de Chico Buarque.

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