Feliz com os casamentos
ReproduçãoMarilyn com Arthur Miller: felicidadeEm suas correspondências à Berniece, a atriz parecia imensamente feliz quando decidia se casar. Assim foi com o jogador de beisebol Joe DiMaggio e com o dramaturgo Arthur Miller. Mas a alegria durava pouco, já que seus casamentos não passavam de dois anos. Com o fim desses relacionamentos, Berniece começou a sentir que Marilyn estava cada vez mais deprimida. Assim que se separou de Miller, Marilyn recebeu a visita da irmã. O que ela mais lembra dessa época eram os constantes murmúrios da atriz: Tantos problemas, tantos problemas...
Mas os problemas continuaram e alcançaram o ápice com a morte de Clark Gable, com quem Marilyn tinha acabado de contracenar em Os Desajustados. Segundo a autora, Marilyn estava desesperada com as acusações do público de que ela seria a responsável pela morte do ator. Apesar de o relacionamento dos dois ter sido bom nos bastidores, as más línguas alegaram que o gênio difícil da estrela alterou o ânimo de Gable e prejudicou o fraco coração do ator, provocando sua morte 11 dias após o término das filmagens.
Nem mesmo a volta para Los Angeles diminuiu o desânimo da atriz, que a cada dia estava mais dependente de remédios. Ainda assim, Berniece não acredita na hipótese de suicídio planejado. A ausência de uma carta, a falta de uma roupa especial e de maquiagem, assim como uma agenda lotada de compromissos para o dia seguinte, me fazem acreditar que sua morte foi um acidente. Marilyn já havia exagerado na dose de remédios, mas sempre vi isso como um erro por parte de seu médico, analisa. Real ou não, sua visão acerca da morte da irmã parece um tanto inocente, se comparada às teses de assassinato e complô defendidas em tantas obras.
Inocente, ingênua. Assim pode ser descrita essa biografia. A protagonista dessa história é Norma Jean, não Marilyn. O livro peca por não mostrar um pouco do lado ambicioso da estrela. Afinal, a própria Marilyn assume ter passado pelo teste do sofá para conseguir subir em Hollywood. Também faltam detalhes de sua vida amorosa, já que é conhecida a enorme quantidade de homens, e talvez mulheres, que passaram por sua cama. O badalado caso com os Kennedy, por exemplo, é citado apenas quando Marilyn liga para Berniece e conta que foi chamada para cantar parabéns para o presidente. Talvez para proteger a imagem da irmã ou então pelo simples fato de que Marilyn não falava de sua vida pessoal com ninguém, essa biografia deixa algumas lacunas pelo caminho.
Outra pessoasA impressão que fica é que Marilyn nunca foi Marilyn em relação à família. Era sempre Norma Jean, a garota ingênua e carente, que precisava da aprovação dos parentes para cada trabalho seu. É bem capaz que a atriz realmente não tenha revelado à irmã seu lado Marilyn. Mesmo quando admitiu ter posado nua no início da carreira, ela ficou preocupadíssima se seria rejeitada pela família por sua ousadia e tentou esconder a façanha das tias.
Marilyn parecia estar sempre em conflito entre suas duas personalidades. Se por um lado queria ser uma estrela, por outro sonhava com uma vida comum e caseira. A cada casamento ela vibrava com a possibilidade de finalmente construir um lar e uma família. Sempre dizia à Berniece que invejava sua vida pacata. Talvez a incapacidade de conviver e lidar com as vontades de Norma Jean e Marilyn tenha levado a estrela à morte prematura, aos 36 anos. É exatamente essa tese que defende o telefilme Norma Jean & Marilyn, lançado pela HBO em 1996. Com Mira Sorvino como Marilyn e Ashley Judd no papel de Norma Jean, o filme explora a batalha entre as duas faces da atriz. O telefilme, que deve sair em vídeo este ano, é mais uma prova de que o mito Marilyn Monroe é sempre um belo tema a ser retomado.(S.U.I.)





