Feitiços & finanças
Para quem gosta de números, alguns mágicos, outros não. Mais de 100 milhões de cópias - os quatro livros, juntos - circulando em 48 países, o que deixa a autora da série de aventuras com Harry Potter, a inglesa J.K Rowling, na confortável 23 posição no ranking dos milionários da revista ''Forbes'', a bíblia do show business das finanças mundiais. Custo da produção (assumido) pela Warner Bros: 126 milhões de dólares. Bilheteria nos seis primeiros dias de exibição somente nos Estados Unidos, até ontem: 115 milhões de dólares, com um primeiro fim de semana demolindo o recorde anterior de U$ 72 milhões, em poder de ''Jurassic Park - O Mundo Perdido'' - de acordo com o box office, passa a ser considerado um autêntico blockbuster a produção que ultrapassa a marca dos 100 milhões.
Há dois anos, ''Guerra nas Estrelas: Episódio 1 - A Ameaça Fantasma'' demorou cinco dias para atingir os U$ 100 milhões. Na Inglaterra, outra excelente notícia para o estúdio: U$ 23 milhões somente no primeiro dia de exibição.
Detalhes: embora sem se beneficiar com um feriado prolongado, como o Memorial Day que deu um empurrão no filme de Spielberg, um em cada quatro cinemas na grande maioria das cidades americanas exibiu ''Harry Potter'' na estréia, num total de 3.672 cinemas, mas com centenas de cópias multiplicando as sessões em salas geminadas espalhadas pelo país. Além disso, os 152 minutos de ''Harry Potter'' foram um desafio, diante da hora e meia habitual como fator de ampla aceitação popular. Seguindo o mesmo procedimento, a WB está lançando o filme hoje no Brasil em cerca de 750 salas, com 484 cópias (196 dubladas, 288 legendadas). Esta divisão, com predominância das legendadas, não é aleatória: pesquisa etária da ''major'' americana à saída das sessões constatou que um terço dos espectadores é de crianças, outro terço de adultos, a maioria pais acompanhando os filhos, e o terço final nem uma coisa, nem outra, isto é, está entre adolescentes em ''fim de carreira'' e jovens adultos na faixa dos 20 anos.
O sucesso de ''Harry Potter'' também já assegurou aos executivos de Hollywood que, apesar de um breve período de retração das platéias logo após os atentados de 11 de setembro, este será um ano de outra quebra de recordes na indústria americana do filme. Segundo estimativas, em 2001 cerca de 1 bilhão e meio de ingressos vendidos deixou mais de U$ 8 bilhões nas bilheterias da América do Norte (mercado canadense sempre incluído), batendo o recorde de 2000 que foi de U$ 7,7 bilhões.
Agora, mais do que nunca está mantido pela Warner o cronograma do projeto que prevê um filme por ano com o herói feiticeiro. ''Harry Potter and the Chamber of Secrets'', com o mesmo elenco novamente sob a direção de Chris Columbus, tem lançamento mundial agendado a partir de novembro do próximo ano. E Steve Kloves já está trabalhando no roteiro de ''Harry Potter and the Prisoner of Azkaban'', que deverá chegar às telas no final de 2003. Tudo em regime acelerado, porque não há nada que impeça os pequenos atores de crescerem rapidamente. A não ser, talvez, o concurso providencial do pó de pirlimpimpim. Mas esta já é uma outra história, uma outra magia...(C.E.L.J.)





