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Véu à parte, Joana Prado já garantiu lugar na folia carioca. Depois de ser descartada pela Mangueira, a Feiticeira do programa ‘‘O+’’ fez uma espécie de aquecimento no barracão da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, na Zona Portuária do Rio de Janeiro. Tudo para, no dia 6 de março, o segundo do desfile do Grupo Especial, por volta das 23 horas, tentar mostrar que, além de curvas, tem gingado. Embora não tenha arriscado passos de samba, a estonteante loura paralisou os trabalhos no barracão, mas aqueceu os ânimos dos salgueirenses. ‘‘Estou muito ansiosa, na expectativa de chegar na avenida, deixar descer um caboclo e sambar’’, brinca Joana, que pela primeira vez vai desfilar em uma Escola de Samba.
Mas faltou pouco para que a Feiticeira ficasse de fora do Carnaval deste ano. A sorte dela foi que o Salgueiro conseguiu encaixar o visual das arábias, com véu de odalisca, no enredo ‘‘Chegada da Família Real’’. Já a diretoria da Mangueira, com um enredo sobre a cultura negra, não engoliu o véu que Joana não pode tirar por exigência contratual com a revista ‘‘Playboy’’. Ela chegou a visitar a quadra da escola, fazer declarações de amor e até posar para fotos ao lado do busto de Cartola. Mas o véu ofuscou os planos. A agremiação alegou que o adorno não se enquadraria no enredo. ‘‘Agora só falo do Salgueiro. Mangueira é passado’’, escapa Joana.
A ‘‘convocação’’ do Salgueiro surgiu logo após a confirmação de que Joana não sairia na verde e rosa. O carnavalesco Mauro Quintas e a diretoria da escola da Tijuca se reuniram, consultaram os demais destaques do carro alegórico no qual Joana vai desfilar e decidiram formalizar o convite. O véu, em vez de empecilho, acabou servindo como argumento. Ela será um dos destaques do carro ‘‘Abertura dos Portos’’, com sua fantasia de odalisca representando a figura oriental das especiarias que chegavam ao Brasil. ‘‘A Joana vem complementar um processo de criação que já existia’’, garante Mauro Quintas. ‘‘O meu véu faz parte de um encanto. Quem faz mais sucesso é ele, que traz todo um clima de mistério e fetiche’’, elucubra Joana.
E foi com um véu vermelho – a cor do Salgueiro – que Joana deu uma prévia do rebuliço que deve causar no Sambódromo. Diretores, foliões e funcionários da escola não escondiam a ansiedade e a agitação com a chegada da loura, que foi ao barracão conhecer o carro alegórico no qual vai desfilar. Todos queriam tirar fotos, conversar com ela ou apenas observá-la. Afinal, este ano a Feiticeira é o centro das atenções, posto que foi de Tiazinha no ano passado e de Carla Perez em 1998.
Troca de gentilezas daqui e dali já virou lugar-comum entre destaques e escolas. Entre Joana e Salgueiro não foi diferente. A Feiticeira não poupou elogios à escola e a agremiação também a tratou como uma ‘‘rainha’’. Na verdade, ambas as partes fazem uma espécie de investimento. Tanto Joana como o Salgueiro conseguem mídia e atenção. ‘‘Vai ajudar minha carreira. Não é apenas no Brasil. O mundo inteiro vai estar assistindo’’, gaba-se a moça. ‘‘Conseguimos mídia forte, o que traz benefícios para a escola. O Carnaval é uma vitrine’’, admite o carnavalesco Mauro Quintas.
Nem o assédio que Joana provavelmente vai sofrer durante o desfile preocupa o Salgueiro. No ano passado, Susana Alves, a Tiazinha, acabou provocando uma aglomeração de pessoas antes do início do desfile da Tradição. Resultado: a escola atrasou, teve de correr com o desfile e perdeu pontos nos quesitos Evolução e Harmonia. ‘‘A Tiazinha desfilou no chão. A Joana vai vir no carro, em cima. É menos perigoso’’, minimiza Mauro Quintas. Já a Feiticeira não esconde a ansiedade em desfilar. Logo ela, que o máximo de contato que teve com a folia foi nos bailes de matinê na infância. ‘‘Coincidentemente tinha uma fantasia de odalisca que eu adorava’’, lembra. Joana cresceu, mas a fantasia continua – e, para deleite dos foliões, aparentemente manteve o mesmo tamanho dos tempos de criança.

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