São Paulo, 19 (AE) - Começam amanhã (20) no Rio de Janeiro e quarta-feira em São Paulo as duas maiores feiras de livros do País, a Bienal Internacional do Livro do Rio e o Salão Internacional do Livro de São Paulo. Seus organizadores evitam as estimativas por conta de uma nebulosa disputa entre grupos de editores, mas concordam num ponto: mais de 1 milhão de pessoas irão aos dois eventos, que estão investindo cerca de R$ 4 milhões cada na realização dos megaencontros literários.
Divididos por interesses mal explicados à opinião pública, os editores dos dois grupos querem demonstrar que têm objetivos e métodos distintos. "Nós fazemos a feira para aquecer o mercado", vaticina Raul Wassermann, presidente da Câmara Brasileira do Livro, que organiza o Salão Internacional do Livro de São Paulo. "Nós queremos que o livro ocupe seu espaço na agenda nacional", diz Roberto Feith, diretor do Sindicato Nacional dos Livreiros, que organiza a Bienal Internacional do Rio.
Há uma tendência de apresentar as divergências - que resultaram na realização simultânea de duas feiras - como o resultado de uma disputa entre editores do Rio e de São Paulo. Não é fato: 46% dos editores presentes à Bienal do Rio são paulistas, enquanto 43% são cariocas. O argumento de que há um objetivo superior ao comercial nesses eventos (um objetivo cultural) também não é tão facilmente sustentável, já que o melhor mês do ano para a indústria editorial sempre tem sido o mês das feiras.
A avaliação desse desempenho é que é polêmica: o grupo do Rio diz que as vendas têm um aumento insignificante, menos de 1%. O grupo de São Paulo diz que é altamente significativa. Bienal e Salão - A 9.ª Bienal Internacional do Rio, que vai de amanhã ao dia 2, no Riocentro, espera meio milhão de pessoas e tem grandes trunfos como atrativos, entre eles a presença do Prêmio Nobel José Saramago e do best seller Paulo Coelho. O Salão de São Paulo, que se realiza de quarta-feira ao dia 2 no Expo Center Norte, informa ter recebido 1,4 milhão de pessoas no ano passado, mas, como o número foi contestado, não divulga mais estimativas.
O salão está mais modesto, por conta da dissidência, mas também tem seus atrativos, o que inclui a presença de 180 autores e um total de 1,5 mil lançamentos e 200 atividades culturais. Um dos convidados internacionais é a escritora inglesa Pauline Melville, também atriz, que lança seu primeiro romance, "A História do Ventríloquo" (Companhia das Letras, com o qual ela ganhou o prêmio Whitbread First Novel) . E também o economista canadense Michel Chossudovsky, que vem para o lançamento do livro "A Globalização da Pobreza - Impactos das Reformas do FMI e do Banco Mundial".
Para Sérgio Machado, da Bienal do Rio e presidente do Sindicato Nacional do Livro, a feira é uma iniciativa concentrada que visa pôr o livro em primeiro plano no cenário nacional, ao menos uma vez por ano. O que a direção do Sindicato Nacional do Livro discorda é da realização de duas feiras simultâneas. "O mercado só comporta uma grande feira por ano", diz Feith.
A animosidade entre as duas entidades, Câmara Brasileira do Livro e Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), às vezes é visível. Na semana passada, a bienal mudou sua data de encerramento (que seria no dia 23) para o dia 2, certamente para não deixar esmorecer a concorrência com a rival carioca.
Mas está em curso uma estratégia de reaproximação, que pode unificar de novo os calendários e os objetivos. Após a Bienal do Rio, o Snel deve eleger novo presidente (que, em razão do processo de chapa única, deve ser Paulo Roberto Rocco, da editora Rocco). Rocco, atual diretor de eventos da bienal, demonstra maior flexibilidade em relação ao diálogo com a Câmara do Livro de SP.
No ano que vem, anuncia Raul Wassermann, estará de volta a Bienal de São Paulo. Ao mesmo tempo, o evento do Rio centra esforços no fortalecimento de sua estrutura. Com o apoio do prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, mandou construir dois novos auditórios no Riocentro, com capacidade para 400 pessoas, que já serão inaugurados nesta edição.
Distribuição - Atualmente, a produção editorial brasileira vive num paradoxo: embora produza cerca de 50 mil títulos por ano, tem uma rede de distribuição débil, com apenas 1,5 mil livrarias. A maior parte das grandes redes está em São Paulo - o Rio vive uma grande crise recente de mercado.
Se tudo isso contribuir para a difusão do livro e abrir espaços para a apresentação de novos autores e de idéias, pode-se afirmar que não há nenhum problema. Quanto mais feiras, melhor. O critério final continuará sendo a qualidade.

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