Feira mostra artesanato internacional
A cultura de vários
países e estados
brasileiros está em
exposição em Londrina
Celso PachecoChileCelso PachecoParaná
Jackeline Seglin
A tradição, as lendas, os símbolos e mitos de vários países estão representados de diversas formas nos cerca de 100 estandes espalhados pela 6ªFeira Internacional de Artesanato (Feiarte). São produtos da Argentina, Bolívia, Chile, Egito, Equador, Índia, Indonésia, Itália, Marrocos, México, Paraguai, Peru, Rússia, Senegal, Tailândia, Uruguai e Brasil. Além de apreciar as peças, o público pode conhecer um pouco da história de cada lugar.
A boneca da sorte Matrioshka, por exemplo, é um dos destaques do estande da Rússia. Feita em madeira branca e leve, pintada à mão, traz três bonequinhas uma dentro da outra, em vários tamanhos. Ela é a matrona protetora da casa. Diz a lenda que em momentos de perigo ela abre seu ventre para proteger a família, conta Ladislao Vaveliuk, representante do Centro de Artesanato da Rússia.
Celso PachecoMarrocosJá a minuciosa técnica de miniaturas em laca e papel machê é considerada a arte maior na Rússia. Para fazer uma peça, o artesão usa uma lupa e um pincel de pêlo de rabo de esquilo. É uma arte desconhecida no Ocidente. Só existe na China, no Japão e na Rússia. Claro, cada um tem sua escola e seu estilo, diz Vaveliuk. Os motivos pintados nas peças contam lendas populares.
Celso PachecoSenegalO Senegal chama a atenção de longe. Seu representante, conhecido como Babakar, usa um traje típico (o boiboi, uma espécie de camisolão) para mostrar o artesanato do país africano. São trabalhos em madeira (estátuas de guerreiros esculpidas à mão), bolsas de couro de crocodilo e iguana, colares, objetos de pedraria e marfim e, claro, as roupas.
O som relaxante da música e o cheiro de incenso no ar dão o clima oriental ao estande da Índia. O hare khrishna João Anacleto, que mora em Curitiba, explica: Tudo tem uma energia. Se a pessoa que fez o objeto tem um carma bom, você recebe esse carma. Segundo Anacleto, o comércio também está incluído nessa filosofia, como parte do princípio das castas sociais: a classe sacerdotal (autoridade maior), os guerreiros e administradores, os comerciantes e os operários. O objetivo do comerciante é manter o sacerdote, proteger as vacas (a segunda mãe, de acordo com a cultura oriental) e as mulheres. No estande, o público encontra incensos, vasos de latão, CDs de mantras, roupas, máscaras, móbiles e castiçais.
Celso PachecoRússiaO estande do Marrocos está sendo cotado pelo público como um dos mais bonitos e atraentes da feira. São tapetes com motivos florais ou com ornamentos geométricos, brocados e bordados; as armas, as jóias, cerâmicas, e peças em osso de camelo (como moldura de espelhos, baús, espadas e adagas), em madeira, couro e feitos em pedra do mar (um material alaranjado, chamado Louben). São objetos utilitários e obras de arte, além de coisas que mantêm a tradição e a cultura do país, diz o marroquino Mounir Tazi. O Marrocos é um país turístico e exploramos esse lado da arte, que se passa de pai para filho, completa. Os marroquinos produzem, ainda, as roupas para usar em casa (Gandora) e para festas (Kaftan), porta-jóias feitos de madeira Tuyia (só encontrada no Marrocos e na Rússia), luminárias de bronze, animais em ferro e bronze e luminárias de couro de camelo.
No estande do Egito, um dos produtos que mais chamam atenção são os papiros, usados na antiguidade para a escrita. Vendidos como obra de arte, eles trazem desenhos de figuras históricas, como o faraó Tutancâmon.
Celso PachecoMéxicoPara os supersticiosos, o egípcio Nabil Abdelkader Farón Nabil tem também os escaravelhos da sorte (objetos que devem ser dados de presente a outra pessoa) e a chave da vida, utilizada sempre atrás da porta de entrada para proteger a casa. A tradicional pirâmide também pode ser encontrada neste estande. Feita em bronze, traz em cada face imagens do faraó (representando a vida), de Tutancâmon e o Deus Sol (fortuna e força) e da esfinge e da pirâmide (energia).
Os tapetes e gorros de lhama e as blusas de pele de paca são os destaques de um dos estandes da Bolívia. Já os chilenos, além das blusas de couro tecidas à mão, têm um objeto que atrai os visitantes: o Palo de Água ou Palo de Chuva, instrumento feito de cactus morto na parte externa e espinhos de cactus e pedrinhas de rio na parte interna. O chileno Eri Esquivel, da Comissão Pró-Artesanato do Chile, conta que o objeto é usado para terapias, yoga, relaxamento, como instrumento de percussão e elemento de decoração.
Celso PachecoÍndiaO boliviano Oscar Gutierrez diz que gosta de contar a história das civilizações e que prefere representar o universo. Por isso está no estande do México, com um trabalho interessante de réplicas artesanais de pedras dos incas, astecas, maias e egípcias, criadas manualmente em diversos tipos de quartzo, como a pedra Itapeva. Estes objetos de arte são inéditos no mundo atual. Temos calendários astecas, estrelas incas e faraós, conta Oscar Gutierrez, que mostra a Pedra do Sol, o calendário mais discutido em todos os campos acadêmicos, devido à sua perfeição na astrologia e astronomia. O artesão faz ainda jogos de xadrez de pedra.
Nos dois últimos dias de feira, o público terá a chance de apreciar tudo isso e outros artigos, como pedras preciosas, bonecos, colchas, quadros, roupas de lã, doces, bebidas e as delícias da culinária brasileira, como a cozinha baiana. A 6ª Feiarte tem apoio da Folha de Londrina/Folha do Paraná.
6ª Feiarte - Feira Internacional de Artesanato e 16ªFeira do Lar e Decoração - Até amanhã, no Centro de Exposições de Londrina (antiga Londrimalhas - Av. Tiradentes, 1515). Horários de funcionamento: hoje, das 14 às 22 horas; amanhã, das 14 às 21 horas. Ingressos a R$ 5,00 (crianças de até 12 anos não pagam entrada).





