Feira DOBRA bate recorde de público com mais de 8 mil visitantes
Iniciativa do selo Grafatório reuniu oficineiros e artistas de todo o Brasil com programação extensa que incluiu shows e atividades para crianças
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de julho de 2026
Iniciativa do selo Grafatório reuniu oficineiros e artistas de todo o Brasil com programação extensa que incluiu shows e atividades para crianças

Finalizada neste domingo (26) com mais de 8 mil visitantes, a 9º edição do Festival DOBRA de Arte Impressa bateu recorde de público e expositores. Oficinas formativas que não exigiram conhecimento prévio foram realizadas ao longo da semana em diferentes pontos da cidade, somadas a exposições, intervenções artísticas, atividades infantis, discotecagem e shows com nomes relevantes da cena musical brasileira. A promoção anual é do Grafatório, selo editorial e gráfica experimental de Londrina.
O slogan da vez foi “Esse é o clima”, com a sensação de instabilidade psíquica, política e climática que atravessa o presente como temas gerais. “A gente nunca pensou em fazer um festival que fosse muito nichado, apesar de ter esse recorte bem claro da arte impressa e de parecer uma coisa específica, é tudo muito visualmente atraente e o público tem interesse. Ainda tem as atividades para crianças e shows, então atrai uma diversidade de gente”, celebrou o editor do Grafatório, Felipe Melhado.

ARTES VARIADAS
O ponto alto do evento é a Feira DOBRA de Arte Impressa, que reuniu 85 expositores de diferentes regiões do país no sábado (25) e domingo, na FUNCART. Participaram editoras independentes, artistas visuais, gravuristas, ilustradores, quadrinistas, fotógrafos, produtores de zines, encadernadores, coletivos, ateliês e outros artistas gráficos. A diversidade no âmbito da arte impressa, produção estética e qualidade técnica são critérios para a seleção dos expositores, informou Melhado, além da inclusão, com participação de “grupos historicamente sub-representados nas artes visuais, então pessoas com deficiência, população LGBTQIAPN+, negros, pardos e indígenas”, elencou.
Adriano Melo veio de Belo Horizonte (MG) para participar da feira pela primeira vez e fazer contato com outros artistas. Com faixa de preço entre R$ 35,00 e R$ 170,00, vendeu xilogravuras, linoleogravuras e serigrafias 100% manuais. “Hoje (domingo) está um pouco melhor de vendas, eu acho que ontem a galera deu uma olhada e hoje veio comprar mesmo. Está valendo a pena porque está bem divertido”, contou o gravador, que vive da arte desde 2013.

Fernanda Lima e Stefany Nicolini são de Londrina e também são iniciantes na feira, ofertando prints, adesivos e zines de poesias, com preço variando entre R$ 5,00 e R$ 55,00. “Eu gostei muito, achei o movimento no primeiro dia, mesmo chuvoso, super bom. Começou a encher bastante no fim da tarde, e o pessoal engaja, pergunta sobre as artes”. Vamos nos inscrever para estar aqui no ano que vem de novo”, adiantou Lima.

O artista Fábio Morais, de São Paulo, e o cartazista londrinense Vitão Paulo, promoveram a oficina-instalação “Mapas Econômicos de Liquidações e Ofertas”. Partindo da estética dos cartazes de supermercados, a atividade convidou os participantes a elaborarem uma mensagem, que foi transformada pelo cartazista em duas peças: uma ficou com o autor e a segunda foi incorporada a uma instalação coletiva construída ao longo da feira. Fernanda Montanini e Emílio Pastorello, filho de uma colega expositora, escolheram as frases: “homem bonito não paga, mas também não leva” e “argila e gravura é muito legal”.
O menino contou que irá pendurar o seu cartaz no ateliê que sua mãe e Montanini integram. “Achei muito legal a cor e a letra, com cara de supermercado mesmo. O que eu acho mais legal é que quando você pega um papel e desenha uma coisa e coloca na parede, as pessoas podem ver”, pontuou Emílio. Completou dizendo que viu “muitos desenhos muito bonitos”, também admirando gravuras feitas em madeira e vidro.
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APROVEITAR ‘UM POUCO DE TUDO’
O casal Débora Queiroz e Ana Carla de Paiva, residente jurídica e engenheira de software, respectivamente, aproveitou a programação do Festival ao máximo. “A gente veio todos os dias. Fomos na abertura, que foi no Grafatório, e gostamos de cara. Viemos para os shows, que também foram muito legais. Foi uma surpresa muito positiva, a gente nunca tinha vindo e nos divertimos muito, ficamos até o final”, disse Queiroz.

Neste domingo, chegaram na FUNCART logo no início da feira para “ver tudo com calma”, sendo que já planejam o retorno no ano que vem. Paiva comprou pôsteres que retratam a causa LGBTQIAPN+, autorais de artistas fora de Londrina. Comentando que ainda compraria um quadro, riu ao dizer que não queria mais gastar dinheiro, mas considerou que são produtos “muito diferentes e que não vamos geralmente por aqui”, compensando o valor.


Heloísa Gonçalves
Repórter com atuação em Educação, Saúde e Cidades.





