Finalizada neste domingo (26) com mais de 8 mil visitantes, a 9º edição do Festival DOBRA de Arte Impressa bateu recorde de público e expositores. Oficinas formativas que não exigiram conhecimento prévio foram realizadas ao longo da semana em diferentes pontos da cidade, somadas a exposições, intervenções artísticas, atividades infantis, discotecagem e shows com nomes relevantes da cena musical brasileira. A promoção anual é do Grafatório, selo editorial e gráfica experimental de Londrina.

O slogan da vez foi “Esse é o clima”, com a sensação de instabilidade psíquica, política e climática que atravessa o presente como temas gerais. “A gente nunca pensou em fazer um festival que fosse muito nichado, apesar de ter esse recorte bem claro da arte impressa e de parecer uma coisa específica, é tudo muito visualmente atraente e o público tem interesse. Ainda tem as atividades para crianças e shows, então atrai uma diversidade de gente”, celebrou o editor do Grafatório, Felipe Melhado.

Felipe Melhado, editor do selo Grafatório, celebrou o recorde de participações e expositores no Festival
Felipe Melhado, editor do selo Grafatório, celebrou o recorde de participações e expositores no Festival | Foto: Heloísa Gonçalves

ARTES VARIADAS

O ponto alto do evento é a Feira DOBRA de Arte Impressa, que reuniu 85 expositores de diferentes regiões do país no sábado (25) e domingo, na FUNCART. Participaram editoras independentes, artistas visuais, gravuristas, ilustradores, quadrinistas, fotógrafos, produtores de zines, encadernadores, coletivos, ateliês e outros artistas gráficos. A diversidade no âmbito da arte impressa, produção estética e qualidade técnica são critérios para a seleção dos expositores, informou Melhado, além da inclusão, com participação de “grupos historicamente sub-representados nas artes visuais, então pessoas com deficiência, população LGBTQIAPN+, negros, pardos e indígenas”, elencou.

Adriano Melo veio de Belo Horizonte (MG) para participar da feira pela primeira vez e fazer contato com outros artistas. Com faixa de preço entre R$ 35,00 e R$ 170,00, vendeu xilogravuras, linoleogravuras e serigrafias 100% manuais. “Hoje (domingo) está um pouco melhor de vendas, eu acho que ontem a galera deu uma olhada e hoje veio comprar mesmo. Está valendo a pena porque está bem divertido”, contou o gravador, que vive da arte desde 2013.

Mineiro, Adriano Melo veio para Londrina expor na Feira DOBRA pela primeira vez
Mineiro, Adriano Melo veio para Londrina expor na Feira DOBRA pela primeira vez | Foto: Heloísa Gonçalves

Fernanda Lima e Stefany Nicolini são de Londrina e também são iniciantes na feira, ofertando prints, adesivos e zines de poesias, com preço variando entre R$ 5,00 e R$ 55,00. “Eu gostei muito, achei o movimento no primeiro dia, mesmo chuvoso, super bom. Começou a encher bastante no fim da tarde, e o pessoal engaja, pergunta sobre as artes”. Vamos nos inscrever para estar aqui no ano que vem de novo”, adiantou Lima.

Emílio Pastorello e Fernanda Montanini aprovaram os cartazes temáticos com as frases que escolheram
Emílio Pastorello e Fernanda Montanini aprovaram os cartazes temáticos com as frases que escolheram | Foto: Heloísa Gonçalves

O artista Fábio Morais, de São Paulo, e o cartazista londrinense Vitão Paulo, promoveram a oficina-instalação “Mapas Econômicos de Liquidações e Ofertas”. Partindo da estética dos cartazes de supermercados, a atividade convidou os participantes a elaborarem uma mensagem, que foi transformada pelo cartazista em duas peças: uma ficou com o autor e a segunda foi incorporada a uma instalação coletiva construída ao longo da feira. Fernanda Montanini e Emílio Pastorello, filho de uma colega expositora, escolheram as frases: “homem bonito não paga, mas também não leva” e “argila e gravura é muito legal”.

O menino contou que irá pendurar o seu cartaz no ateliê que sua mãe e Montanini integram. “Achei muito legal a cor e a letra, com cara de supermercado mesmo. O que eu acho mais legal é que quando você pega um papel e desenha uma coisa e coloca na parede, as pessoas podem ver”, pontuou Emílio. Completou dizendo que viu “muitos desenhos muito bonitos”, também admirando gravuras feitas em madeira e vidro.

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APROVEITAR ‘UM POUCO DE TUDO’

O casal Débora Queiroz e Ana Carla de Paiva, residente jurídica e engenheira de software, respectivamente, aproveitou a programação do Festival ao máximo. “A gente veio todos os dias. Fomos na abertura, que foi no Grafatório, e gostamos de cara. Viemos para os shows, que também foram muito legais. Foi uma surpresa muito positiva, a gente nunca tinha vindo e nos divertimos muito, ficamos até o final”, disse Queiroz.

Débora Queiroz e Ana Carla de Paiva participaram das atividades do Festival todos os dias: 'supresa positiva, nos divertimos muito'
Débora Queiroz e Ana Carla de Paiva participaram das atividades do Festival todos os dias: 'supresa positiva, nos divertimos muito' | Foto: Heloísa Gonçalves

Neste domingo, chegaram na FUNCART logo no início da feira para “ver tudo com calma”, sendo que já planejam o retorno no ano que vem. Paiva comprou pôsteres que retratam a causa LGBTQIAPN+, autorais de artistas fora de Londrina. Comentando que ainda compraria um quadro, riu ao dizer que não queria mais gastar dinheiro, mas considerou que são produtos “muito diferentes e que não vamos geralmente por aqui”, compensando o valor.

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