Até o dia 21 deste mês milhares de professores estarão passando por Faxinal do Céu, participando de um evento inédito - a Feira de Livros que está acontecendo no local, com ofertas de mais de 6 mil títulos, destinada a enriquecer mais de 3.400 bibliotecas escolares de 1ºgrau, das redes municipais e estadual de ensino.
A feira estará movimentando nestes 15 dias algo em torno de R$ 9 milhões, com financiamento do Banco Interamericano para Reconstrução e Desenvolvimento - Bird. Ela faz parte do Módulo Biblioteca do Projeto Qualidade no Ensino Público do Paraná.
Estão sendo beneficiadas com este programa somente as escolas cujas Associações de Pais e Mestres estejam legalmente regularizadas. As APMs deverão gastar, no mínimo, 80% dos recursos em livros e o restante em mobiliário: armários e estantes.
Listas e críticasOs organizadores do evento foram surpreendidos pelos representantes das escolas que chegaram com listas prontas daquilo que deveriam adquirir, sem haver ao menos uma visita prévia à maioria dos estandes das 49 editoras, para prévia consulta. Naturalmente a agressividade de marketing das grandes empresas falou mais alto e fez com que estas tivessem total domínio das vendas.
Houve chiadeira geral por parte das editoras menores. ‘‘A exceção aqui é de professores que vieram para primeiro conhecer, folhear os livros e depois saber o que irão comprar. A maioria chegou determinada a adquirir material de quatro ou cinco que são as maiores’’, criticou José de Alencar Mayrink, da Editora Formato, de Belo Horizonte.
Segundo ele, os representantes das escolas dirigiram-se a Faxinal do Céu sem ter uma noção clara do que encontrariam lá. Também não tinham autonomia para alterar o que já tinha sido decidido anteriormente. Se era para seguir estes moldes bastaria o serviço de reembolso postal, observou.
Nem todos os editores viam tão amargamente a iniciativa da Secretaria da Educação. Lígia Braga, da Editora Braga, de Curitiba, estava na ala dos esperançosos. Apesar do tumulto no início, ainda restam duas semanas para a frente. ‘‘Vai melhorar’’, frisou, mesmo reconhecendo que ‘‘metade’’ dos professores ali presentes chegaram com uma lista do que iriam adquirir já fechada.
Livre mercadoPara o secretário da Educação, Ramiro Wahrhaftig, presente em Faxinal do Céu, essas discussões não competem à sua pasta. ‘‘As editoras aqui estão, em tese, em iguais condições’’, comentou. Portanto, compete a elas a conquista do terreno. ‘‘Estamos num regime de livre mercado’’.
A dificuldade em selecionar títulos (eles variam em quantidade de acordo com o número de alunos de cada escola) é um reflexo da realidade sócio-cultural brasileira, segundo observou Wahrhaftig. Porém, iniciativas como esta promovem ‘‘oportunidades no desenvolvimento de nossos diretores, professores e, como consequência, melhor qualidade de ensino’’.
O que o secretário da Educação não aceita é a seleção centralizada. ‘‘É a pior forma possível. Seria muita arbitrariedade do Estado impor títulos para as escolas. Cabe a elas escolher seus livros. É um aprendizado, assim como a tal da democracia que vai se aprendendo com o tempo’’.

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