Em Curitiba, os descontentes com a descaracterização da feirinha de arte do Largo da Ordem, que sofreu um inchaço desmedido nos últimos anos, terão a oportunidade de conferir um novo espaço voltado aos artesãos paranaenses. Hoje, a partir das 10 horas, no Shopping Novo Battel, começam as atividades do Free Market, empreendimento que objetiva valorizar os artistas e se transformar num ponto de encontro cultural.
Batizado em inglês, o Free Market pretende se tornar território aberto a produtores e consumidores de todas as faixas etárias, abrindo um leque de ofertas ao público – de artistas plásticos e escultores a designers de móveis, moda e jóias. Conta com apoio da Associação de Núcleos Artesanais de Vizinhanças de Curitiba.
Há seis meses seus realizadores – Hélio Pimentel, Ricardo Machado, Melissa do Vals, Sandro Tank – vêm trabalhando no projeto. Eles querem que haja atrativos para todo tipo de consumidor, das faixas etárias mais variadas. Além das barracas fixas, pretendem convidar palhaços, músicos, malabares para desenvolverem ali suas performances. Futuramente poderá contar até mesmo com teatro infantil.
Apesar de estar localizado num shopping, o Free Market terá a marca de uma feira de rua. Para isso o próprio local colabora de maneira primordial, graças ao seu tipo de construção, aberto para as ruas que o circundam. ‘‘Não tem aquela coisa fechada, que normalmente é a característica de um shopping center’’, diz Machado. A proposta básica, insiste, ‘‘é realmente abrigar e se transformar em vitrine para os artesãos que muitas vezes não têm espaço na grande mídia’’.
A capacidade do empreendimento é de, no máximo, 200 expositores. Neste início, porém, estarão trabalhando aproximadamente 100. Num comparativo entre esta e a veterana feira do Largo da Ordem há diferenças maiores que as simples características do espaço físico, afirma Machado: ‘‘Aqui a gente vai se concentrar mais na área de trabalhos de arte, com pessoal de maior qualificação’’.
Instalar-se no elegante bairro do Batel traz o pressuposto maior apuro na qualidade. Machado concorda que o perfil do lugar de algum modo interfere na seleção dos artistas convidados. Enfim ‘‘estaremos trabalhando com um público formador de opinião, com pessoas que viajam’’, concorda. Mesmo para as atividades de rua as atrações serão pensadas, planejam os organizadores. ‘‘É preciso uma qualificação tanto dos expositores como dos artistas’’.
Tudo, porém, tem um limite. A feira pretende-se uma vitrine de artesãos, portanto não será espécie de mostra de preciosidades. ‘‘Não temos como objetivo colocar obras de pintores ou joalheiros caríssimos. É artesanato, são os novos designers, antiguidade’’, observa o empresário.
Entre o pessoal que hoje inaugura o Free Market estão Eduardo Calegari (mosaicos), Marcelo Maestri (luminárias), Antonio Passarinheiro (madeira), Rodrigo Alarcon (peças em pedra e prata), Tibiriçá (móveis e decoração), Maria Luísa (vidro), Polack (marchetaria), José Abraão (ceramista), etc.
Para Deonilda Miller Machado, presidente da Associação dos Núcleos Artesanais de Vizinhança, que reúne 480 associados somente na região da capital, e presidente da Federação das Associações e Cooperativas de Artesãos do Paraná, este será mais um espaço a se abrir para o setor. ‘‘Iniciativas como essa para nós é muito importante’’.
Foi-se o tempo em que produzir peças artesanais era coisa da juventude do ‘‘paz e amor’’. O sistema engoliu a rebeldia e transformou a atividade em ganha-pão. ‘‘Hoje o público vê o artesão com outro olhar, dá a ele a condição de representante de uma cultura. Quando participamos de feiras em outros Estados, a maioria das pessoas se lembra da feira do Largo da Ordem. Ela é o cartão postal de Curitiba. Espero que a do Novo Battel venha a se transformar também nesse símbolo’’.
Free Market, feira de artesanato no Shopping Novo Battel. Inauguração acontece hoje, com funcionamento das 10 às 20 horas.

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