A migração de artistas norte-paranaenses para as grandes capitais é uma constante, remontando ao final da década de 70 quando músicos como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e Paulinho Barnabé mudaram-se para São Paulo em busca de projeção nacional.
A cantora e poeta londrinense Neuzza Pinheiro fez parte desse grupo, arregimentada por Arrigo para ser a primeira vocalista de sua banda Sabor de Veneno. Participou de festivais, realizou shows lendários e depois partiu para a carreira solo. Há sete anos vive em Santo André, região do ABC na Grande São Paulo.
Nesta semana, ela voltou à cidade como convidada do Festival Literário de Londrina/Londrix. Hoje, às 17h30, Neuzza faz sessão de autógrafos de seu livro de poemas ''Pelo&Osso'' no Centro Cultural Sesi; às 21h mostra o show ''Profissão de Febre'' na Vila Cultural Cemitério de Automóveis; e amanhã, às 21h, participa do espetáculo ''O Vermelho e a Neblina'', uma homenagem aos 35 anos de carreira do poeta e jornalista londrinense Nelson Capucho.
Seu livro já teve uma noitada de lançamento na cidade no final do ano passado. Reúne versos produzidos em várias épocas. A edição foi um dos prêmios conquistados pela autora ao vencer o 1º Prêmio Nacional de Literatura Lúcio Lins, promovido em 2008 pela Fundação Cultural de João Pessoa
(PB).
Neuzza tem poemas publicados também em antologias como ''12 Poetas Londrinenses'' e ''Outras Praias'', além de revistas literárias como Coyote, Rattapallax e A Cigarra; e no blog www.spiritualsdoorvalho.blogspot.com). No show de hoje interpretará poemas musicados inéditos do curitibano Paulo Leminski (1944-1989) e da norte-americana Emily Dickinson (1830-1886), além de composições de seu CD solo ''Olodango'' (2007) e um número-surpresa dedicado a Itamar Assumpção (1949-2003).
No palco, terá a companhia de André Siqueira (violão e viola). ''Em algumas músicas, vou tocar viola caipira'', diz ela, empolgada com o instrumento adquirido no início deste ano. ''Comprei e deixei de lado. Fiquei com medo de tocá-lo por causa de um ditado dos violeiros que diz que você não escolhe a viola, ela que te escolhe. Deixei-a guardada até que o André Siqueira me falou para brincar com o instrumento e que, se ele me respondesse, estaria estabelecida a magia. Foi assim que comecei a tocar e estou adorando a experiência''.
Neuzza conta que pretende gravar discos com poemas musicados tanto de Leminski quanto de Emily. ''Quero fazer tudo com músicos londrinenses'', avisa. Também está em seus planos gravar um álbum com releituras de canções de Dolores Duran (1930-1959), a partir de um show montado para o projeto ''Supernovas'', realizado em 1992 com curadoria de Carlos Rennó e no qual ela foi acompanhada pelos músicos Paulo Braga (piano), Mané Silveira (saxofone) e Marinho Andreotti (baixo).
Ela revela que este último projeto está em estágio mais adiantado, conduzido pelo produtor Robinson Timóteo, um conhecido empreendedor cultural de São Caetano do Sul (SP) que tem a intenção de inscrevê-lo na Lei Rouanet (mecanismo federal de incentivo cultural por meio de renúncia fiscal). ''Esse trabalho está praticamente pronto, só falta umas pinceladas. É resultado de vários anos de dedicação às músicas de Dolores Duran, às quais dei uma roupagem jazzística'', salienta.
Para a participação de amanhã no espetáculo em homenagem a Nelson Capucho, ela escreveu um arranjo para um dos poemas do autor (''Pelas ruas de Londrina''), em cuja interpretação estará acompanhada pelo violonista Marquinhos Santos.

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