Fé em forma de arte
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de junho de 1998
Érika Pelegrino 
Há dois mil anos um homem veio à Terra com uma árdua missão: mostrar a face de Deus para a humanidade. Temido e adorado, este homem, considerado santo por muitos, por onde passava deixava suas marcas. Conta a história que quando chegou em Jerusalém, os homens que adoravam este homem-santo jogaram seus mantos para que ele caminhasse sobre eles.
Através dos tempos muitos continuaram seguindo os ensinamentos do homem-santo e mantêm vivo o gesto de dois mil anos atrás. Hoje eles não jogam mais mantos. Eles desenham tapetes pelas ruas, na procissão mais significativa da Igreja Católica, a de Corpus Christi, na qual a presença de Jesus é representada pelo corpo (hóstia) e pelo sangue (vinho).
Estes homens levantam de madrugada para deixar tudo pronto para a representação do homem-santo - hóstia e vinho - passar. Estes homens hoje são pessoas que participam de grupos de casais, catequese, movimentos da Igreja.
Com pó de serra, casca de arroz, sal grosso tingido, flores, cartazes, pintura, pó de café velho, eles constroem passarelas, por onde passa a procissão. Ganham forma a figura de Jesus e suas ovelhas, a pomba que representa o Espírito Santo, a imagem de Maria.
Em homenagem ao tema da campanha da fraternidade deste ano: Fraternidade e Educação, uma passarela ganhou o desenho de vários lápis nas ruas de Londrina. Cada parte da passarela é feita de acordo com as habilidades do grupo responsável. Uns desenham com giz no chão antes de colocar os enfeites, é o caso do tapete em frente à Catedral, que foi feito pelas irmãs do Colégio Mãe de Deus.
As imagens de Jesus e suas ovelhas, a pomba do Espírito Santo, foram desenhadas e pintadas em um cartaz e depois colocadas na passarela. Sal grosso tingido em várias cores deu forma ao grande mosaico onde surge a pomba do Espírito Santo com o cálice de vinho e a hóstia. Toda a passarela que foi feita nas alamedas Miguel Blasi e Manoel Ribas e nas travessas laterais à Catedral, Bernard Greiss e Padre Eugênio Herter em Londrina foram salpicadas por flores, para a passagem da representação do homem-santo.


