Fazer cinema é uma arte
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terça-feira, 06 de maio de 2003
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Quem passou pela Rua Goiás, 1774, no último domingo, não resistiu e deu uma paradinha para ver o que estava acontecendo...Na rua, diversas pessoas, com o rostos pintados de verde (seriam marcianos?), circulando pela redondeza. Na frente da casa, de estilo requintado, que já foi utilizada para mostra de decoração, um perfeito brechó, repleto de bibelôs, livros de escritores londrinenses, roupas e móveis antigos. Alguns transeuntes chegaram a subir as escadas da entrada para conferir se havia alguma promoção no local. Mero engano. Tudo fazia parte da segunda etapa de uma oficina de cinema na cidade. O evento faz parte do projeto ''V Mostra Londrina de Cinema'', patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura'' (Promic), de autoria do jornalista e crítico de cinema Rodrigo Souza Grota. O projeto ainda inclui a realização da mostra competitiva de curtas em Super 8 e de vídeos londrinenses, de 5 a 7 de junho, e a produção de mais quatro vídeos digitais, no segundo semestre.
Reunidas as 20 pessoas que foram selecionadas para participar da oficina, depois de 50 inscritos, não faltaram idéias para explorar a arte de fazer cinema. Com uma Super 8 à disposição, os participantes tiveram o desafio de colocar em prática o que aprenderam no final de abril, quando tiveram aulas teóricas. O objetivo era transformar em curta-metragem o roteiro de ''Cera entre as pernas'', de Romina Gonzalles Galetto, e que foi baseado no conto ''Amor por US$ 17,50'', do norte-americano Charles Bukowski (1920-1994). O curso foi coordenado pelos ''Invasores da Tela'', grupo de profissionais de São Paulo que dão cursos práticos de cinema. ''A idéia é promover um efeito multiplicador, em que as pessoas interessadas em cinema possam ser capacitadas profissionalmente e estimuladas a criarem novos projetos nessa área'', afirmou Grota.
Bastante animada, a equipe, desde quinta-feira, já trabalhava no set de filmagens. A aluna de relações-públicas e, durante a oficina, diretora-executiva, contou dos desafios que antecederam as filmagens. ''Dentro da minha função, tive a obrigação de viabilizar as locações, administrar o dinheiro, buscar apoios e parcerias para que o filme se realizasse. Sempre lembrando de administrar frustrações quando as coisas pareciam não dar certo'', destacou Priscilla Fujiwara.
A coordenadora da produção, Vera Senise, dos Invasores da Tela, disse estar bastante empolgada com a equipe participante. ''Eles estão fazendo cinema com muito capricho e com senso de equipe'', contou. E deixou como recomendação para ser um bom produtor ''iniciativa, espírito de luta, capacidade de improvisação e jogo de cintura''.
E os desafios são muitos. Entre eles, saber encontrar a luz certa para não perder a cena, já que no formato Super 8 não se pode reaproveitar a película: gravou, tá gravado. E para acertar, sendo o filme em preto e branco, todo cuidado é pouco. A equipe de arte, figurino e maquiagem, precisa estar atenta. No rosto, pancake verde para contrapor os tons da pele, naturalmente avermelhadas pela corrente sanguíne; no figurino e cenário, equilíbrio entre as cores quentes (que escurecem) e frias (que clareiam), para que os objetos ou pessoas não ''desapareçam'' de cena.
O aluno de jornalismo, Paulo Rafael Muzzolon, ficou com a função de diretor de filmagem, a sua primeira opção quando se inscreveu para participar da oficina. ''Está sendo fantástico e muito cansativo, e, definitivamente, cinema é trabalho de equipe'', reforçou. Muzzolon também detalhou que o roteiro aborda sobre a falta de afetividade na sociedade contemporânea.
No filme, o protagonista projeta toda a sua ânsia de afeto para uma manequim, que avista em um brechó. Ele chega a comprá-la e aí...tem que assitir ao curta para ver o que essa história vai dar. ''No roteiro original, havia um apelo mais sensual, que adaptamos, deixando uma versão que debate mais sobre a falta de afeto nas relações humanas'', acrescentou. Com as adaptações, o título do curta foi definido como ''Manequim 37''.
O coordenador de direção, Sergio Concilio, dos Invasores de Tela, lembrou que não se faz cinema sem aprender a falar com imagens. ''A televisão nos viciou em diálogos, mas o grande desafio é comunicar através de imagens e esse desafio os alunos estão tendo que superar.'' Mas vale dizer que o curta não é mudo, porque tem ruídos e trilha sonora.
O curta será revelado nos Estados Unidos, devido a questões de qualidade, por ser em preto-e-branco. A montagem e a sonorização serão finalizadas em Londrina nos dias 31 de maio e 1º de junho, com o acompanhamento dos participantes da oficina. O resultado cinematográfico da oficina poderá ser conferido no Auditório Alcides Bueno, no campus da Unopar do Jardim Piza, de 5 a 7 de junho, durante a V Mostra Londrina de Cinema. Mais informações pelo site www.mostralondrinadecinema.cjb.net.


