Precursora do conceito de galeria de arte em Londrina, a marchand Ana Maria Barreto comemora amanhã 36 anos dedicados a divulgar talentos nacionais das artes plásticas através da Galeria Bahiarte. Do estranhamento inicial que Londrina lhe causou quando, recém-casada, aos 22 anos, veio de Salvador para cá, hoje sobra admiração que se transformou em gratidão. ''Só tenho a agradecer Londrina pelo apoio nesses anos todos. Londrina é a minha cidade e, em comemoração aos 75 anos da cidade e 36 da galeria, decidi prestigiar a data com a exposição individual de uma artista londrinense'', afirma Ana Maria Barreto. O vernissage com telas de Patricia Lopes Canesin será realizado hoje, às 20h30. No folder da mostra, apresentação redigida pelo pintor Bianco, que teve ateliê com Portinari, destaca a importância da galeria londrinense para a solidificação da história da pintura contemporânea brasileira.
E foi com orientações do também renomado pintor Carybé (1911-1997), amigo íntimo de Ana Maria, que a ideia de montar uma galeria - sugestão de um amigo do seu marido - ganhou força. ''Ele é o 'pai' da Bahiarte'', brinca a marchand. Acostumada a ter muitos quadros em sua residência, não era incomum as pessoas admirarem as telas e perguntarem sobre os artistas. ''Na época não existia nenhuma galeria de arte na cidade e ainda hoje somos uma das quatro galerias mais antigas do Brasil'', informa.
Ana Maria afirma ser apaixonada pelo que faz e nesses 36 anos de trajetória como galerista sempre procurou orientar os seus clientes a ''apreciar a arte''. ''É importante entender que um quadro não é objeto de decoração. Ele não tem que combinar com o sofá, com o móvel da sala. É uma obra de arte: tem que olhar e gostar; não é preciso 'entender' a obra'', ressalta.
Mesmo no caso dos clientes que compram obras de arte para investimento, Ana Maria é taxativa: ''Mesmo sendo um bom investimento, compre algo que goste de olhar e não deixe ninguém escolher por você''.
Ana Maria confessa ser uma admiradora inveterada de obras de arte e que muitas vezes não consegue conter o impulso de ter em casa telas expostas na galeria. ''Tem artistas que eu amo muito e nem tenho mais espaço suficiente para colocar tantos quadros. Em uma parede, por exemplo, tenho 76 quadros pequenos, mas adoro apreciá-los dessa forma'', comenta.
Sobre a exposição individual comemorativa, Ana Maria contou que conheceu o trabalho de Patricia Lopes Canesin na última edição da Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, em abril, quando ela expôs algumas telas na Casa do Criador. ''Gostei muito dos seus quadros e a convidei para trabalhar com a galeria. Ela é original, consegue manter características próprias marcantes em sua arte.''

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