Uma das artistas mais conceituadas do Brasil, com obras em museus da Europa e dos EUA, Fayga Ostrower morreu aos 81 anos na madrugada de hoje, no Rio, vítima de câncer no intestino. Seu corpo foi velado na Câmara Municipal, próxima ao Museu Nacional de Belas Artes, onde abriu no ano passado sua última mostra individual, exposição que foi levada a Paris e Berlim.
Nascida em Lodz, na Polônia, Fayga foi criada até os 12 anos na Alemanha, de onde sua família imigrou para o Brasil. A artista começou sua carreira nos anos 40, quando realizava gravuras identificadas com o expressionismo figurativo. A partir da década seguinte, ela adotaria o abstracionismo como linguagem, movimento do qual foi uma das principais incentivadoras no Brasil.
Em 1958, recebeu reconhecimento no exterior, ganhando o prêmio internacional na Bienal de Veneza. Um ano antes, ficou com o prêmio nacional de gravura da Bienal de São Paulo.
Além de pintora e gravadora, Fayga foi autora de livros sobre arte. Uma das suas obras mais célebres, ''Universos da Arte'', resultou de um curso que foi ministrado a operários de uma gráfica, nos anos 70. O livro, da editora Campus, está completando 19 edições.
A atividade de educadora foi constante durante a vida de Fayga, com influência na formação de várias gerações de artistas cariocas. Conhecida por suas opiniões polêmicas, a artista não era condescendente com aquilo que considerava como maneirismos da arte conceitual.
Frequentemente convidada para palestras - a próxima seria em um seminário na mostra sobre o surrealismo, no Centro Cultural Banco do Brasil -, Fayga afirmava que o caminho da formação de um artista é árduo, exigindo estudo e prática, e não apenas a adesão a um movimento da moda.
Comentando seu perfil de artista e educadora, o poeta e crítico de arte Ferreira Gullar escreveu: ''Desconheço a existência, entre nós, de alguém igualmente equipado para o exercício do trabalho de arte e a transmissão de seu conhecimento''. Sua vida e obra são o tema de um livro que a editora Sextante prepara para lançar até o final do ano. ''Fayga Ostrower, Sentido de Vida'' traz análise crítica de Wilson Coutinho sobre os trabalhos da artista.
Entre seus projetos inacabados, um deles terá sequência por sua filha, a também artista plástica Noni Ostrower. Trata-se da compilação em livro de uma série de textos usados em palestras em 1999, nas quais abordava a história da arte nos últimos 500 anos. Seu corpo será cremado amanhã, às 10h, no crematório da Santa Casa de Misericórdia, no bairro do Caju (zona norte do Rio).

mockup