Um dos recursos mais interessantes do filme ‘‘Advogado do Diabo’’ - que está sendo lançado em vídeo - acaba passando despercebido para a maioria dos telespectadores: tudo acontece durante o piscar de olhos de um homem que se olha no espelho de um banheiro público. Mas as inovações param por aí. A produção tem uma narrativa tradicional e moralista sobre um homem que vende sua alma ao diabo. No entanto, Al Pacino venceu o desafio de criar uma caracterização do demônio que não ficasse ofuscada pelos marcantes desempenhos de Jack Nicholson em ‘‘As Bruxas de Eastwick’’ e de Robert DeNiro em ‘‘Coração Satânico’’.
Al Pacino interpreta John Milton, uma espécie de Fausto contemporâneo que tenta seduzir o jovem e idealista advogado Kevin Lomax (Keanu Reeves), oferecendo a ele a possibilidade de trabalhar em um grande escritório em Nova York. A empresa, na verdade, é uma confraria onde quem entra não consegue mais sair. Lomax e sua bela esposa Mary Ann, interpretada pela sul-africana Charlize Theron, mudam do interior para a metrópole. Embora tratados como príncipes, eles começam a perceber que estão sendo envolvidos numa rede de crimes e experiências satânicas.
‘‘Advogado do Diabo’’ é cinema de ator e não de autor. Nem poderia. Dirigido pelo mediano Taylor Hackford - que entre outras coisas fez ‘‘A Força do Destino’’ e ‘‘Eclipse Total’’- o filme aposta tudo na interpretação de Al Pacino que, apesar de estar um pouco exagerado, é responsável pelos melhores momentos do filme. Mas é preciso fazer jus também à atuação de Keanu Reeves, que está excelente na pele do ambicioso advogado. Hackford levou cinco anos para convencer Al Pacino a aceitar o papel, submetendo-lhe sucessivas propostas de roteiro até obter a concordância do ator.
A intenção de Pacino era fazer do diabo um personagem viável para os anos 90, dando ao filme uma idéia faustiana. Mas dentro de poucos minutos percebe-se que ‘‘Advogado do Diabo’’ fica longe de tentar explicar as nuances que existem numa discussão sobre céu e inferno. Na verdade, a viagem ao inferno proposta pelo filme não passa de um passeio no trem fantasma de algum parque de diversão. Entretanto, além de um bom entretenimento, ‘‘Advogado do Diabo’’ não deixa de fazer um exame do conflito ético e moral o qual as pessoas estão sempre propensas a vivenciar.
O filme enfrentou um processo jurídico nos Estados Unidos. O escultor Frederick Hart, criador de uma das peças da Catedral de Washington, alegou que um de seus trabalhos foi usado de forma distorcida e satanizada no filme. A escultura de Hart aparece no final do filme, no apartamento do demônio, onde figuras brancas ganham vida e participam de uma orgia que tem a intenção de seduzir o personagem interpretado por Keanu Reeves. Lançamento da Home Vídeo. Duração: 145 minutos

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