Falar de tecnologia em uma novela pode ser arriscado. Afinal, é um assunto que, à primeira vista, parece pouco palatável. Pelo menos, para o público em geral. Mas os autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira conseguem mesclar o tema com as trivialidades do cotidiano de uma maneira fluida em "Geração Brasil". Por mais que a novela utilize recursos visuais à exaustão, o que prevalece é a própria história, repleta de elementos clássicos como romance, ação e suspense na medida certa. Além de muita comédia, como costuma ser de praxe em uma trama das sete.
O enredo principal gira em torno da empresa de computação de Jonas Marra, protagonista de Murilo Benício. Mas os aparatos tecnológicos apresentados em todos os capítulos não "brigam" com o desenvolvimento das relações entre os personagens. Pelo contrário. Para o novo casal Manu e Davi, interpretados por Chandelly Braz e Humberto Carrão, por exemplo, eles serviram para aproximar ainda mais os dois, o que aconteceu naturalmente. Do jeito que a trama está sendo construída, com delicadeza, já é possível imaginar que "os pombinhos" terão a torcida do público. Principalmente porque os atores estão bem entrosados nas cenas e transmitem verdade – vale lembrar que Chandelly e Carrão são namorados.
Um dos poucos pontos de conflito na novela ainda é a prosódia no núcleo metade americano e metade brasileiro. A ideia de espalhar palavras em inglês nas frases ditas pelos personagens sem a tradução "tatibitati" na sequência é boa. Já que tira o tom didático que, muitas vezes, acontece em situações semelhantes em outros folhetins. Mas o espaço dado ao idioma estrangeiro está um pouco exagerado. Não é difícil supor que boa parte do público não entenda o que é dito. O contexto, no entanto, ajuda na compreensão geral das sequências. Mas saber exatamente o que se fala ali é privilégio de quem pode pagar por um curso de inglês.
Com uma trama leve e despretensiosa, "Geração Brasil" simplesmente diverte.

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