Arquivo FolhaBanda Fato: show de lançamento de ‘‘Fogo Mordido’’ está marcado para o Palácio Avenida, em Curitiba, nos dias 11, 12 e 13 de abrilAté poucos anos atrás, Curitiba estava acostumada com grupos que viviam por anos e quase nunca conseguiam ter seu trabalho registrado em disco. Felizmente isto mudou e grupos relativamente novos já chegaram ao CD. Dentre esses, o Fato sem dúvida tem se destacado. Surgido há cerca de três anos, já está no segundo disco, ‘‘Fogo Mordido’’, lançado graças à Lei Municipal de Incentivo à Cultura. É um trabalho vigoroso, com proposta definida e que desde já pode estar na lista dos melhores lançamentos de Curitiba em 1997.
O Fato faz um trabalho pop com definitiva dedicação à musicalidade brasileira, mas assumindo as influências sonoras que se escutam à cada esquina, a cada ligada de rádio. Além disso, a banda assume a clara posição de fazer música dedicada aos músicos e poetas curitibanos.
Não se trata de uma posição regionalista, para cantar as coisas do Paraná. É uma posição que permite mostrar a boa música feita por paranaenses, mas não só por eles. Nos dois discos, por exemplo, existem músicas do carioca Antônio Saraiva. ‘‘Podemos sempre optar por compositores de outros Estados, desde que o trabalho deles diga muito à gente, como é o caso do Saraiva’’, explica Grace Torres, tecladista, cantora e compositora.
Cosmopolita ‘‘Quem ouve o que a gente faz não fica pensando de onde é. Na nossa cabeça fica aquela dúvida: será que vão aceitar as coisas do Paraná? Mas na verdade o nosso trabalho é cosmopolita e as pessoas aceitam sem se preocupar de onde vem. Nós não estamos virados para o próprio umbigo. Fazemos coisas legais. Fazemos música do mundo’’. A explicação é do baterista Zé Loureiro Neto.
A aceitação do trabalho já foi testada em shows fora do Paraná e não decepcionou a banda. ‘‘Fizemos shows no Rio de Janeiro e em São Paulo com boa bilheteria. Também estamos tocando com sucesso em alguma rádios comunitárias em São Paulo’’, afirma a tecladista Grace Torres.
As rádios comunitárias foram uma alternativa para entrar na mídia. Mas não se pode pensar em termos de rádios de bairro, já que a Paulista Plus, por exemplo, atinge 300 mil ouvintes na Grande São Paulo, audiência acima da maioria das rádios de Curitiba. ‘‘Foi muito legal a gente chegar na rádio e ver nossos dois discos, com anotações sobre as músicas mais pedidas’’, conta Ulisses Galeto, baixista, violonista e o principal compositor do grupo.
Ulisses está presente em seis das 13 composições de ‘‘Fogo Mordido’’. Junto com Grace Torres faz a maioria dos arranjos de base das músicas. Mas a decisão final sobre arranjos, escolha das músicas e tudo o mais é tomada democraticamente entre os sete compontes da banda. ‘‘A gente instituiu a política de que a banda não tem um líder que dá a palavra final, até porque é muito saudável discutir as coisas e argumentar’’, afirma Grace Torres.
Lançamento Com este espírito e o apoio do produtor Paulo Brandão, o Fato fez um disco maduro, com belas canções (veja crítica nesta página) que, por enquanto, está à venda nas lojas Sebo de Elite, 801 e Street Music, todas de Curitiba. O repertório do disco já vinha sendo executado em shows, o que ajudou a banda a escolhê-lo.
O show de lançamento de ‘‘Fogo Mordido’’ está marcado para o Palácio Avenida, em Curitiba, nos dias 11, 12 e 13 de abril. Por enquanto, a banda espera novidades, como uma possível indicação ao cobiçado Prêmio Sharp de música. Não é fácil pois concorrem com grandes personalidades nacionais e seus respectivos lobbies. O grupo terceirizou a produção de shows que pretende marcar para São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. No Palácio Avenida acontecerá a estréia oficial do novo guitarrista, Gilson Fukushima, que já participou do disco na faixa ‘‘Cinco Sentidos’’.
O anterior, Miguel Porfírio, que participou do primeiro CD e da maioria das músicas do atual, não pode continuar por motivos particulares que o impediam de viajar com a banda. ‘‘O investimento do Fato não é ter um virtuose, mas músicos que toquem sem altos malabarismos e dêm espaço para todo mundo’’, diz Grace, explicando o ‘‘espírito’’ que reúne os componentes do grupo. ‘‘O Gilson tem o jeitão do Fato, além de ser um bom músico’’, acrescenta.

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