Curitiba - O Instituto Goethe promove, a partir de hoje, a retrospectiva Rainer Werner Fassbinder (1946 - 1982). A mostra marca duas décadas da morte do cineasta alemão, encontrado morto em 10 de junho de 1982 devido a uma overdose de drogas, aos 37 anos. O último filme de Fassbinder, o pôlemico ‘‘Querelle’’ (1982), baseado na obra de Jean Genet, não está entre as exibições, mas os espectadores poderão contar com verdadeiras pérolas na mostra, como ‘‘O Amor é mais Frio que a Morte’’, de 1969, que abre a programação do evento, além de uma série feita para televisão. As exibições acontecem sempre às 19h30, com entrada franca.
Fassbinder fez cerca de 40 filmes em 16 anos de carreira. A temática escolhida nos seus roteiros passeava sempre pelo sexo, poder, solidão e política. O filme de hoje, ‘‘O Amor é Mais Frio que a Morte’’, não foge à regra. Conta a história de Franz, fichado na polícia por assalto, mas que se recusa a ingressar num sindicato de crime organizado. O comparsa Bruno, na tentativa de levar Franz para organização, atribui a autoria de seus crimes ao amigo. Mortes e fugas espetaculares fazem parte do longa em preto-e-branco.
Também hoje, será exibido ‘‘O Machão’’ (‘‘Katzelmacher’’), filmado na mesma época que ‘‘O amor...’’. No original alemão, Katzelmacher é a expressão pejorativa usada para indicar o operário estrangeiro. O filme conta as dificuldades que um operário grego encontra enquanto procura por alojamento e trabalho. A história havia sido encenada por Fassbinder, em 1967, com a Companhia do Action-Theater. O filme foi rodado com os mesmos atores e recebeu cinco prêmios do governo alemão. Os dois filmes da programação de hoje têm legenda em português.
Amanhã, acontece a exibição de ‘‘Por que deu a louca no Sr.R?’’, filmado entre 1960 e 1970. O Senhor R. é um típico expoente da classe média alemã. Tem um trabalho seguro, uma bela casa, uma bela mulher e um belo filho. O longa narra a vida teoricamente perfeita do Senhor R., com episódios do seu cotidiano perfeitamente normais, inclusive quando ele, durante uma festa em seu escritório, conversa com a vizinha da casa, mata a vizinha, depois a mulher, o filho e depois, se enforca. É um dos filmes mais naturalistas do cineasta alemão, já que, apesar da história, não apresenta nenhum climax dramático na narrativa. O filme é colorido e as legendas são em espanhol.
Na quinta-feira, é a vez de ‘‘As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant’’, filme de 1972, adaptado da peça teatral homônima. O filme segue o esquema original do espetáculo e se passa em um único ambiente. É em seu atelier que Petra, estilista de moda e viúva do primeiro casamento, conhece Karin, que posteriormente se torna sua amante. A relação conturbada das duas mulheres, assim como o silêncio da assistente de Petra, Marlene, dá a tônica do longa.
A mostra traz ainda‘‘Uma mulher de negócios/Liberdade em Bremen’’, filme de 1972, que será exibido no próximo dia 11. O longa é também baseado em uma peça teatral que narra fatos reais acontecidos nas primeiras décadas do século passado, quando Geesche Gottfried matou, pelo menos quinze pessoas; ‘‘Eu só Quero que Vocês me Amem’’, filme de 1975 é exibido na mostra com legenda em espanhol, no dia 12. Relata a história do pedreiro Peter, que teve a infância e juventude marcadas pela falta de amor dos pais. Desorientado, Peter mata um homem fisicamente parecido com o pai e é condenado a dez anos de prisão. Detido, ele relata a uma psicóloga os motivos que o levaram a matar.
Também serão exibidos ‘‘Roleta Chinesa’’, filme de 1976, no próximo dia 13; ‘‘Bolwieser’’, (1976-1977), no dia 18; ‘‘Despair - Uma viagem para a luz’’, de 1977 (com legendas em espanhol), no dia 19; ‘‘O Casamento de Maria Braun’’ (1978), no dia 20; ‘‘A Terceira Geração’’ (1979), no dia 25; ‘‘Lili Marleen’’ (1980), no dia 25 e ‘‘O Desespero de Verônica Voss’’ , penúltimo trabalho de Fassbinder antes da sua morte prematura. O filme é baseado na vida da atriz alemã Sybelle Shmitz. Dependente de morfina, ela morreu em 1955, aos 46 anos de idade. Será exibido no dia 27 de junho.
Após a exibição dos filmes do arquivo da instituição, O Instituto Goethe continua a homenagema ao cineasta alemão. Em julho, exibe ‘‘Berlim Alexanderplatz’’, série para televisão em 13 capítulos, baseado no romance homônimo de Alfred Doblin.
Serviço:
Mostra Retrospectiva Rainer Werner Fassbinder. De hoje a 12 de julho, às 19h30, no Auditório do Instituto Goethe (Rua Reinaldino S. de Quadros, 33). Entrada Franca.

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