FASHION RIO - Moda para encher os olhos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de janeiro de 2004
Rosângela Vale<br>Enviada Especial 
No dia em que o tititi no Fashion Rio era a estréia da Colcci, com a presença da socialite e milionária americana Paris Hilton, célebre por protagonizar cenas de sexo explícito que rodaram o mundo via Internet, o grande momento aconteceu em outra passarela. Abrindo a programação da última sexta-feira com um desfile anti-convencional e para poucos Isabela Capeto, da grife Ibô, mostrou o preciosismo de seu trabalho com fitas, rendas e laises, elevando o artesanal à máxima potência fashion.
Ao som de harpa, modelos e não modelos passeavam, a poucos centímetros da restrita platéia, entrando e saindo de nichos de madeira branca, num vaivém de vestidos longos rendados, saias sobrepostas a calças, ceroulas e jaquetas dupla face bordadas. A imagem que fica é de um rico mosaico de flores, azulejos, brilhos e passamanarias. Impossível não se encantar com o romantismo e a delicadeza da estilista, considerada a nova revelação da moda carioca.
Outra marca que apostou no romantismo foi a mineira Drosófila, que evocou referências diversas: da cultura inca fazendo uma releitura dos bordados típicos do Peru ao apelo pop das Meninas Superpoderosas em bordados e patchworks. Sobreposição é a palavra de ordem. Vestidinhos estampados e paetizados surgem sobre bermudas de sarja com aspecto gasto, evidenciando o contraste entre o leve e o pesado.
Ainda na trilha da moda jovem com força no jeanswear a catarinense Colcci e a capixaba Lei Básica mostraram coleções bem resolvidas, que devem ser recebidas com gosto pelo público a que se destinam. Sob a direção criativa de Ronado Fraga, o inverno da Lei Básica brinca com a idéia de sermos vigiados 24 horas por dia. A roupa, assim, seria o esconderijo mais eficiente contra a invasão de privacidade. Cenas ao vivo do backstage e modelos com longas antenas na cabeça foram os recursos utilizados para mostrar uma coleção repleta de jeans black com grandes botões amarelos.
Já a Colcci armou um ringue para ressaltar a inspiração masculina. As calças tipo saruel, repletas de bolsos e zíperes, ganham destaque, assim como os camuflados, as parkas e os moletons com brilho. O toque sexy fica por conta das leggings curtas (com prendedores de cinta-liga pendurados) sob vestidinhos de viscose com ombros desabados, salpicados de paetês e cristais.
Em alta neste inverno, o guarda-roupa masculino também foi a referência usada pela Cavendish. Ajustando paletós, encolhendo a camisaria e afinando a silhueta, a grife abusa das pregas, dos paetês e das listras numa coleção de tons escuros com pinceladas de rosa. Representante da austeridade paulistana, Guilherme Mata, da MvsM, imprimiu, mais uma vez, seu rigor experimental à temporada carioca. Partindo de linhas horizontais e verticais ®MDNM¯e de pregas-macho que se transformam em estrelas e origamis, ele explora diferentes recursos de modelagem, revelando a estreita e apaixonada ligação com o seu ofício.
O Fashion Rio terminou sábado, com desfiles de novos criadores cariocas, mas a temporada de lançamentos outono-inverno 2004 tem novo capítulo esta semana. A São Paulo Fashion Week começa amanhã e vai até dia 3 de fevereiro, com 41 desfiles.


