Cazuza nitidamente se livrou das amarras que limitavam sua criação ao sair do Barão Vermelho e, com isso, construiu uma bela obra individual. O oposto aconteceu com Roberto Frejat, que assumiu os vocais da banda a partir de 1985 e, neste século, resolveu investir numa carreira solo: sua melhor obra foi feita com o Barão.
Isso fica nítido no recém-lançado ''Intimidade Entre Estranhos'', seu terceiro CD solo, que segue a linha pop romântica de ''Amor para Recomeçar'' (2001) e de ''Sobre Nós Dois e o Resto do Mundo'' (2003). É justo apontar que essa criação menos roqueira de Frejat soaria estranha no Barão Vermelho - o cantor tinha, portanto, seus motivos artísticos (e possivelmente outros) para começar a produzir sozinho.
Como o novo álbum mostra, ele também anda se valendo de parceiros mais diversos, como Paulo Ricardo, Zeca Baleiro, Zé Ramalho e Black Alien. É forçoso reconhecer, no entanto, que o material é inferior à sua produção passada. Frejat não é um letrista nem um vocalista como Cazuza, e essa fraqueza, que ficava encoberta no som do Barão, fica ressaltada em baladas como ''Eu Só Queria Entender'', ''Tua Laçada'' e ''Intimidade Entre Estranhos''.
A primeira canção de trabalho, a animada ''Eu Não Quero Brigar Mais Não'' (parceria com Black Alien) é a única que merece algum destaque, entre as 11 do disco. O pior é constatar que a fase solo de Frejat tem sido mais bem-sucedida (comercialmente) do que a parca produção do Barão neste século.

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